2. Os jovens e os videojogos

Entrevista completa fornecida pelo neuropsicólogo Nelson S Lima ao jornal MEIA HORA de 9 de Outubro de 2007 sobre os viedojogos (jornalista: Cristina Espada).
- Quais são os efeitos (positivos e negativos) que os videojogos podem ter nas crianças/jovens?
- Os videojogos correspondem a uma mudança enorme na evolução dos mercados de lazer e divertimento. Os jogos são, na generalidade, atractivos e contribuem para o bem-estar psicológico de quem os pratica. Podem fomentar novos conhecimentos e a destreza mental. De negativo podemos salientar, entre outros, três grandes perigos: a sedentarização (pois obrigam os jogadores a muitas horas sentados); banalização da violência (agredir, destruir e matar são situações vulgares em muitos videojogos que, embora de mero efeito visual, tornam-se actos sem significado emocional) e fuga da realidade (os jogos envolvem os praticantes em mundos paralelos virtuais que podem tornar-se numa plataforma de refúgio da vida real, dos seus problemas e desafios).
- Quais as razões que levam um jovem a preferir este tipo de jogos a outros jogos (jogar na rua, etc)?
- Nos centros urbanos, onde a vida está mais estratificada e muralhada, os videojogos são a versão moderna dos jogos que todas as épocas tiveram. Uma das suas atracções reside na diversidade de temas e nos mundos virtuais que permitem explorar com a ajuda do imaginário.
- O que é que os pais podem fazer para evitar (ou diminuir o tempo) que os filhos joguem videojogos?
- Uma boa agenda de actividades, com os tempos distribuídos de forma razoável, poderá ajudar a impedir abusos e dependências. Quanto mais cedo se criar a referida agenda mais fácil é torná-la num hábito saudável.
- Qual o tempo máximo recomendado por dia para dedicar a esta actividade?
- Não mais de 2 horas por dia como tempo máximo para os maiores de 14 anos. Menor carga de tempo para os mais pequenos.
- Como saber quando os videojogos se tornam um vício? Quais as consequências disto?
- Sabe-se que já há vício adquirido quando o jovem se torna obstinado e joga compulsivamente, esquecendo rapidamente as suas outras tarefas e responsabilidades quotidianas. As consequências são várias, podendo afectar as aprendizagens, a motivação para estudar, a sociabilização, o sono e a saúde em geral, etc.