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COLABORE!

Artigo sobre sobredotados na HAPPY WOMAN

Já saiu a edição de Fevereiro 2010 da revista HAPPY WOMAN (na foto a capa de Janeiro).
Nas páginas 184 a 186 fala-se sobre crianças sobredotadas e seus problemas de integração escolar. São relatados alguns casos, com o testemenunho directo de vários pais.
O Instituto da Inteligência, uma vez mais, foi chamado a colaborar. Para quem quiser, há lá uma lista de dicas dos nossos serviços de psicologia.
Para saber mais sobre estas crianças entre em www.academiadesobredotados.com

Ser um filho único é sinónimo de egoísmo?

Entrevista fornecida pelo Instituto da Inteligência ao jornal "i".
Entrevista com o doutor Nelson S Lima, do Instituto da Inteligência (versão integral).

- Ser filho único é sinónimo de egoísmo?
De maneira alguma!. Ser filho único tanto pode apresentar-se como uma experiência gratificante como decepcionante (para o próprio e para os outros). Ou nem uma coisa nem outra. Primeiro, os sentimentos relacionados com a condição de ser filho único dependem da personalidade (sobretudo da estrutura emocional adquirida através da família) e da qualidade dos laços estabelecidos com os outros (familiares, amigos, etc.). Segundo, ser filho único é cada vez mais uma realidade frequente devido ao decréscimo dos índices de natalidade, o que faz com que o próprio a encare de forma natural. Finalmente, o egoísmo, se for entendido como sinónimo, não tem de ser forçosamente um mal em si mesmo desde que temperado com princípios, valores e grandeza de carácter (e aqui a educação tem um papel a dizer).

- Nas conversas entre amigos, é comum ouvirmos o comentário «é filho único», como justificação de comportamentos caprichosos, mimados ou egocêntricos. Mas serão estas características comuns a todas as crianças que crescem sem irmãos?
- O problema reside na educação recebida dos pais ou com quem o "filho único" estabeleça os primeiros vínculos afectivos. Os perigos vêm do excesso de protecção e de atenção que podem adulterar a formação inicial da personalidade da criança (a chamada personalidade aprendida). Nestes casos, criam-se matrizes (códigos) mentais que podem fazer despontar atitudes e comportamentos marcados por egocentrismo exacerbado, sentimentos de grandeza, narcisismo e outras perturbações. Não podendo repartir a sua atenção por outros filhos - que, geralmente, têm personalidades e naturezas diferentes - os pais tendem a "mimar" o filho único e a colocá-lo num pedestral ou então numa "redoma de vidro". O perigo mais frequente verificado neste tipo de reacção dos pais é o desenvolvimento de uma personalidade desequilibrada no filho único (desde afectividades inseguras, personalidades ansiosas e medos até reacções impulsivas, condutas agressivas e despóticas, etc.).

- Os filhos únicos podem também ser mais tímidos e introvertidos?
- Sim e não. A situação depende da matriz inicial da personalidade onde se destaca o temperamento (determinado em grande medida pelos genes) e outras características inatas. O tipo de laços afectivos dos primeiros anos, a natureza das relações entre as pessoas que cuidam da criança (geralmente os pais mas também os avós e outras pessoas próximas) e o ambiente vão ter um papel importante na definição e na expressão dos traços de personalidade. Enquanto a introversão como a extroversão têm uma forte componente biológica, a timidez resulta mais das experiências de vida nos primeiros anos. É fácil tornar uma criança tímida e amedrontada mas isso é um crime educacional que não pode ser autorizado. Pelo contrário deve incutir-se na criança sentimentos seguros que equilibrem a auto-estima, a auto-imagem e a auto-comfiança.

- Os exageros da superprotecção são mais comuns por parte dos pais, relativamente a filhos únicos?
- Isso depende dos pais em conjunto e de cada um em particular. Sabemos que pai e mãe exercem influências distintas nos filhos. Devemos também ter em consideração que, actualmente, as crianças passam muito mais tempo com as educadoras de infância, os professores e os colegas da escola. Esses agentes também exercem, por vezes de forma poderosa e irreversível, uma marcante influência no desenvolvimento mental e afectivo das crianças. Os filhos únicos tendem, por vezes, a procurar apoio (e afecto) nesses agentes já que pouco tempo passam com os pais, em especial a mãe (que hoje trabalha e pouco tempo tem para dar uma "atenção de qualidade" aos filhos). A superprotecção decorre, por vezes, de um sentimento de culpa. Sabendo que não podem dar uma afectividade segura e equilibrada os pais caem em respostas exageradas como oferecerem presentes e um sem-número de confortos e facilidades ao filho.

- O desenvolvimento da motricidade e da linguagem é iniciado mais cedo no caso das crianças com irmãos mais velhos?
- Havendo irmãos mais velhos observa-se mais frequentemente uma interacção multifocal (afectiva, mental, motriz, etc.) que ajuda ao desenvolvimento cognitivo e motor. Essa interacção é muito importante pois promove o desenvolvimento de estratégias mentais para a resolução de problemas (brincadeiras, disputas, conflitos de interesse, concorrência, etc.).

- Criar um filho único pode tornar-se um desafio maior do que gerir uma família numerosa?
- Talvez gerir uma família numerosa seja mais difícil pelos esforços que a diversidade de personalidades e de interesses exige. Compreender essas diferenças e estabelecer laços afectivos entre todos e ao mesmo tempo gerir conflitos e disputas sem que a família sofra deslizes e entre em ruptura (o que muitas vezes acontece nas famílias numerosas) será, porventura, mais complexo do que atender a uma família nuclear mais reduzida. Os problemas são menores e o stress é igualmente menor, excepto nos casos de relações familiares disfuncionais.

- O papel de educadores e professores é mais importante na educação destas crianças?
- É muito importante. Numa primeira fase, os adultos próximos (com vivências diárias com a criança) podem exercer uma fortíssima influência na regulação emocional e no despertar de possibilidades de crescimento como ser humano. Mais tarde, com o início da adolescência, serão os colegas e os amigos quem terão maior poder de influência nas matrizes de pensamentos e crenças adquiridas, determinando os percursos do comportamento e as escolhas (modas, tiques, preferências, etc.). Por isso é que os comportamentos desviantes surgem na adolescência e não na infância. Para evitar tais situações é absolutamente imprescindível que o ambiente familiar nos primeiros anos encoraje a inteligência, os valores morais, as regras sociais, o equilíbrio emocional e as bases do bom carácter. Servirão, mais tarde, como alicerces que defenderão toda a estrutura da personalidade ajudando as crianças a saberem pensar por si e a saberem fazer opções inteligentes e autónomas.

- Qual a melhor forma de lhes transmitir bom senso e a imposição de limites?
- As crianças aprendem muito através da imitação. O que observam (em casa, na televisão, na rua, na escola, etc.) tende a ficar vincado na memória e influenciar as decisões e os comportamentos. A imposição de regras e normas de vida equilibradas, dentro e fora de casa, fortalecem os códigos da personalidade das crianças. Boas maneiras e estilos de vida saudáveis são mais eficazes do que lições de moral e repreensões!

- Tornar um filho único numa criança responsável, sociável e com uma elevada auto-estima depende de que factores educativos?
- Totalmente. Deve, porém, ter-se presente que a educação deve ser libertadora dos recursos (como a inteligência) e das potencialidades (como a criatividade) e não castradora das possibilidades de sucesso (sempre em aberto) quando se torna repressiva, autoritária ou instável. A decisão de se ser pai ou ser mãe deve obrigar cada um a uma reflexão séria sobre a tremenda responsabilidade que essa condição impõe.

Os perigos do sedentarismo: alerte os seus filhos!

Segundo uma investigação australiana, a cada hora em frente à televisão aumenta o risco de se sofrer um ataque cardíaco. E isto é um problema que afecta as pessoas em qualquer idade.

David Dunstan, um dos autores do estudo publicado na Circulation, recorda que o corpo humano foi desenhado para mover-se e não para estar sentado várias horas ao dia. O problema, como reconhece este especialista em Actividade Física do Instituto Baker de Vitoria, na Austrália, é que “muitas das actividades da vida diária que requeriam estar de pé se transformaram para estarmos sentados”.

Concretamente, o estudo avaliou quase oito mil pessoas maiores de 25 anos entre 1999 e 2006. Em função dos seus hábitos televisivos dividiram os sujeitos em três grupos: os que viam menos de duas horas diárias, entre duas e quatro horas por dia e finalmente os que ficavam em frente ao televisor mais de quatro horas diárias.

Nestes sete anos de análises registaram-se 284 mortes: 87 com problemas cardiovasculares e outras 125 por cancro. Se nos tumores se observou uma relação residual com o hábito de ver televisão, a relação era muito mais clara nos problemas cardiovasculares.

Os investigadores concluíram que os indivíduos que viam televisão mais de quatro horas por dia tinham 46 por cento mais probabilidade de morte (por qualquer causa) que as pessoas que viam televisão menos de duas horas por dia, ou quase 80 por cento se apenas tivermos em conta os falecimentos por causas cardiovasculares.

Por cada hora diária de televisão, os investigadores calculam que existe 11 por cento de aumento de risco de mortalidade por qualquer causa e até 18 por cento por patologia cardiovascular. Aumenta também em nove por cento a mortalidade por cancro. O perigo mantem-se mesmo tendo em conta outros factores como o colesterol, a tensão, o tabaco, o perímetro da cintura ou a dieta rica em gorduras. Inclusive para alguém com um peso normal, estar sentado várias horas por dia tem uma má influência nos níveis de glicose e de gordura do organismo.
Uma vida activa não apenas reduz estes perigos como melhora a função mental, incluindo a concentração, a memória, a aprendizagem e a criatividade. Muitos casos de insucesso escolar podem resolver-se com o aumento de actividade física!

As crianças sobredotadas na Europa

Definições e critérios de avaliação nos vários países. Informe-se em www.academiadesobredotados.com.

Iniciativa

O Instituto da Inteligência está a fornecer às escolas secundárias uma palestra sobre o tema COMO CONQUISTAR O FUTURO destinada a alunos e professores.
Contacto geral@institutodainteligencia.net ou 96 519 73 81.

A inteligência das mães


Num recente número da prestigiada revista portuguesa PAIS &FILHOS foi abordado o tema da inteligência das mães.
Segundo um estudo científico parece que a maternidade torna as mulheres mais inteligentes. É um artigo que deve ser lido.
Na preparação daquele trabalho Nelson S. Lima, do Instituto da Inteligência, foi convidado a dar a sua opinião. Aqui fica o conteúdo total da entrevista de onde aquela publicação retirou depois alguns enxertos.

- É verdade que o cérebro dos seres humanos tem uma grande capacidade de plasticidade e, por isso, podemos estar sempre a tornar-nos mais inteligentes?
Sim, é verdade. A neuroplasticidade permite que o cérebro humano amplie a sua destreza mental através de novas aprendizagens e de estimulação. Estima-se que uma pessoa que mantenha uma mente activa e culta possa fazer subir o seu QI em 15% durante a vida.

- A maternidade pode alterar alguma coisa no funcionamento do cérebro das mulheres, tornando-as mais inteligentes?
Não direi mais inteligentes mas mais diligentes. Não apenas as alterações químicas no cérebro provocadas pela condição da maternidade como as alterações psicológicas forçadas pelo exercício do papel de mãe estimulam o desenvolvimento de processos básicos como a atenção, a concentração, a intuição e uma maior sensibilidade às emoções.

-Que efeitos têm no cérebro das mulheres a oxitocina e a prolactina?
A oxitocina está envolvida nos processos emocionais. Ela actua junto da amígdala (localizada no sistema límbico cerebral) e está relacionada com a produção de sentimentos de generosidade e de confiança. Nas mulheres, conduz a uma maior receptividade e afectividade face aos outros, em especial os filhos. Já a prolactina é uma hormona que estimula o crescimento e a produção de leite durante a gravidez e a amamentação. Está, todavia, dependente também dos estados emocionais, da oxitocina e dos níveis de stress.

- O sentimento que une uma mãe a um filho pode dar novas capacidades ou alterar comportamentos na mulher?
Como em todos os sentimentos de sinal positivo que envolvam e unam pessoas (amizade, afeição, amor, etc) também as relações, atitudes e comportamentos entre mãe e filho dependem, basicamente, da natureza das emoções que são geradas. Os sentimentos positivos são auto-motivadores e susceptíveis de darem maior visibilidade a potencialidades encobertas anteriormente. É o caso da capacidade de amar que só se torna visível e disponível quando surge a pessoa ideal (neste caso, um filho) que vai dar origem a uma nova relação afectiva.

- Porque é que muitas mulheres experimentam uma sensação de ficarem mais distraídas, ou mesmo mais burras, durante a gravidez ou imediatamente a seguir ao parto?
A gravidez é um processo que produz imensas transformações químicas e comportamentais no corpo (logo, também no cérebro) da mulher. Eu não sei se a sensação que descreve é, de facto, percebida como uma espécie de perda de capacidades. Talvez seja apenas uma interpretação errada de sentimentos íntimos que a nova condição de mãe sugere e que tem origens mais culturais do que biológicas.

Sobre o SABER

"Se os textos lhes agradam, óptimo. Caso contrário, não continuem, pois a leitura obrigatória é uma coisa tão absurda quanto a felicidade obrigatória." (Jorge Luis Borges)

Tomei conhecimento a partir de um artigo do excelente Gilberto Dimenstein que 180 mil jovens com formação superior não foram suficientes e capazes para atender à procura de 872 vagas de estágio em empresas brasileiras.

Reflexo da crise de nosso modelo educacional, estes números, tabulados ano passado pela pesquisadora Sofia Esteves do Amaral, indicam o abismo existente entre o que as escolas entregam e o que as empresas solicitam. A qualificação acadêmica está desalinhada da qualificação profissional.

É indiscutível que devemos promover uma Cruzada pela Educação. Vender a idéia da Educação, colocando-a como prioridade, ao lado da Saúde e da Ciência e Tecnologia, nas discussões orçamentais e de planeamento estratégico nacional. Criar o conceito de responsabilidade educacional e infligir com a perda do mandato de autarcas que desviam recursos das salas de aulas para a construção de estradas e outras finalidades que lhes conferem capital político mais imediato. E investir no docente, sua formação e sua remuneração, pois a chave da boa escola é o professor.

Todavia, mesmo diante de toda esta breve argumentação, minha conclusão mais precisa é que o problema da Educação está na escola que ficou chata, perdeu a graça, não acompanhou a evolução do mundo moderno. O aluno não vê aula, quando vê não presta atenção, não se aplica nos deveres de casa e vai mal nas provas. Lembra-me aquela máxima marxista: uns fingem que ensinam, outros fingem que aprendem. Só esqueceram de avisar o mercado desta combinação.
São estes alunos que serão reprovados num simples processo selectivo. E serão eles que, gerindo companhias ou decidindo empreender um negócio próprio, engordarão as já elevadas estatísticas de insucessos empresariais.

A Educação perdeu o sabor. E é curioso constatar isso quando desvendamos pela etimologia que as palavras sabor e saber têm a mesma origem no verbo latino sapare. O conhecimento é para ser provado, degustado. É como se a cabeça (o estudar) estivesse em plena consonância com o coração (o gostar).

O que me faz avançar madrugada adentro postado diante de um monitor, digitando num teclado, com música ao fundo e pensamento ao longe, produzindo artigos como este? A resposta está no desejo de escrever um texto que traga prazer ao leitor tal qual o banquete preparado por um cozinheiro a seus convidados.

Todo escritor tem duas fontes de inspiração: uma musa e outros escritores. Minha musa é o próprio mundo, uma obra de arte, um livro dos mais belos para quem o sabe ler. Já meus "padrinhos" são muitos, são tantos, que não posso colocar-me a relacioná-los. Acabariam as laudas, faltaria paciência ao leitor e eu incorreria invariavelmente no pecado capital da negligência, deixando de citar nomes por traição da memória.

Rubem Alves é um destes nomes. Vem dele a inspiração desta metáfora que envolve escritores e cozinheiros. Minha cozinha fica numa sala. Minha bancada é uma mesa. Meu fogão é um computador. Minhas panelas são minha cabeça. Meus ingredientes são as palavras. Vou selecionando-as, misturando-as e provando de seu resultado. Saboreio com os olhos e cuido para que temperos em excesso não acabem com outros sabores.

Há dias em que estou tomado pela culinária italiana. Então produzo textos encorpados que alimentam a consciência e que pedem uma taça de vinho tinto, cor de sangue, de contestação. Corpo e sangue. São os momentos de questionamento da ordem, este prazer da razão, banhado pela desordem, esta delícia da emoção.

Noutros dias, sinto-me inspirado pela cozinha francesa. É quando me torno económico no uso dos ingredientes, mas extravagante no uso dos temperos. É quando surgem os textos mais leves na forma e mais profundos em seu conteúdo, convidando todos a uma demorada reflexão.

E assim sucedem as semanas, sucedem os artigos. A cada semana um prato novo. Alguns nascem naturalmente, exigem pouco tempo de cozedura. Outros, por sua vez, ficam dias no forno. Consomem uma quantidade incrível de palavras. Letras que vêm e que vão. Chegam mesmo a queimar os dedos mas finalizá-los tem seu propósito ao imaginar a satisfação de quem os lerá, estampada no brilho dos olhos, no sorriso de canto de boca.

Assim entrego-me a este ofício, marchando pitagoricamente com o pé direito para as minhas obrigações e com o pé esquerdo para os meus prazeres, tendo a certeza de que o escrito com esforço será lido com apreciação.

Paul Valéry diz que um homem feliz é aquele que, ao despertar, se reencontra com prazer, se reconhece como aquele que gosta de ser. Saber o que se é e o que se deseja ser: quanto saber há nisso!
Texto (adaptado) de Tom Coelho
Graduação em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela ESPM/SP e especialização em Marketing pela MMS/SP e em Qualidade de Vida no Trabalho pela FIA/USP, é empresário, consultor, escritor e palestrante, Diretor da Infinity Consulting, Diretor do Simb/Abrinq e Membro Executivo do NJE/Fiesp.

O ensino do futuro

Numa sociedade em profunda transformação, os professores são também obrigados a adaptar-se, mudando de atitude relativamente ao exercício de ensinar. Embora marcada por grandes avanços tecnológicos, a sociedade deverá tornar-se cada vez mais humanista. Os professores têm de aprender a ver cada aluno como um todo singular onde se escondem, por vezes, potencialidades incríveis. Têm de ser criativos e inovadores para serem capazes de libertar também o espírito criativo dos alunos.
Os professores devem assumir-se como autênticos agitadores das mentalidades, lutando contra o conservadorismo, o conformismo, o cinzentismo e o comodismo que a educação tradicional tantas vezes provoca nos mais novos.
A escola do futuro será uma escola onde se aprenderá a pensar, a filosofar e a criar.
Instituto da Inteligência
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Sabia que os novos dados existentes sugerem que as crianças nascidas através de cesariana são mais inteligentes? (informação prestada pelo neurocientista Michael S. Gazzanica, presidente do Instituto de Neurociência Cognitiva, fundador da Cognitive Neuroscience Society, com uma brilhante carreira de ensino e investigação na Universidade da Califórnia, Cornell University Medical College, New York University Graduate School e outros estabalecimentos; autor de numerosos livros de divulgação).

Nas sociedades agrícolas os filhos são considerados um bom investimento enquanto nas sociedades desenvolvidas são considerados uma despesa (estudo da Universidade de Hong Kong).

O dever de obedecer sempre à autoridade é um dever escravizante. O dever de obedecer sempre à inteligência é, pelo contrário, libertador.

É preciso acostumar as crianças a cumprirem o seu dever e acrescentar que é a sua inteligência que lhe indicará, em cada momento, qual é esse dever (sugestão do pedagogo e filósofo espanhol José António Marina).

A escola segundo Augusto Cury

Muitos alunos não amam
o Saber porque ele é
transmitido sem tempero,
sem emoção!

Segundo o psiquiatra e autor best-seller brasileiro Augusto Cury, a esperança do mundo está sobre os ombros da educação. Infelizmente, a educação é frequentemente geradora de muito stress e ansiedade. As salas de aulas estão superlotadas, as aulas tornam-se frequentemente entediantes, os professores têm dificuldade em ensinar e os alunos andam muito desmotivados, aprendendo muito pouco de verdadeiramente sólido e duradouro. O ensino está em crise!
Augusto Cury tem, ao longo de várias obras, proposto uma série de ideias para minorar o estado lastimoso da situação (que não é um problema unicamente português).
Eis algumas pistas para ajudar a criar motivação e interesse pelas aprendizagens nos nossos alunos:

1º Apostar numa Educação Participativa. Objectivamente pretende-se evitar que os alunos aprendam de forma passiva, pegando na memorização intensiva para usar nas avaliações. Os professores devem provocar o diálogo, injectar curiosidade, promover o interesse pelas diferentes matérias. A transmissão simples e directa de assuntos é perniciosa. É preciso que os alunos sejam envolvidos podendo expressar as suas ideias, opiniões e sugestões. As matérias dadas não podem ser opacas! É um grande desafio para os professores.
2º A postura dos professores deve facilitar a exposição dialogada. Os professores não devem apenas ser veículos de transmissão de saberes. Têm de aprender a estabelecer a comunicação nos dois sentidos com os alunos, evitando os monólogos por mais de 3 ou 4 minutos. Devem incentivar os alunos a fazerem perguntas!
3º O ser humano gosta de ouvir contar histórias. As matérias escolares devem ser acompanhadas de relatos de casos da vida real para que os alunos façam uma ligação com a vida dos autores que fizeram a História, a Ciência, a Arte e a Política evoluir. Churchil não foi apenas o líder dos aliados na luta contra Hitler. Ele teve uma história de vida muito curiosa. Por exemplo, ele era um aluno um bocado irrascível mas chegou a receber mais tarde na vida o Prémio Nobel da Literatura. Muitos professores deveriam fazer cursos de "Como Falar em Público" e depois ensinar isso aos alunos.
4º Reconstruir o rosto do Conhecimento. Esta técnica é o seguimento do ponto anterior. Significa reconstruir o clima emocional em que os diversos personagens reais da História, das Ciências, da Arte e da Política actuaram. Assim, os alunos ficam a gostar das aulas pois elas deixam de ser insípidas, sem rostos, sem vida.
5º Saber elogiar os alunos, evitando a crítica banal e pública. Para muitos alunos, a chamada de atenção frente aos colegas pode fazer desmoronar a sua auto-confiança e até a auto-estima. Criticar sem valorizar os alunos trava a sua inteligência!
6º Cruzar o mundo do ensino com o dos alunos! Em muitas escolas existem três instituições distintas e separadas por grandes barreiras: o mundo dos alunos, o mundo dos professores e o mundo da escola (seus anexos administrativos, etc.). Isto tem de ser demolido. Não pode haver tanta separação. Ninguém perde autoridade se houver permuta, partilha, ligação. A autoridade que melhor se impõe é aquela que é naturalmente reconhecida. Muitos professores, alunos e funcionários das escolas deveriam aprender técnicas de liderança!
7º Desenvolver a emoção e a arte de gerir o pensamento! Não importa a quantidade das matérias dadas mas a qualidade do que se ensina e como se ensina. A educação deve ser multifocal, não apenas académica. É necessário que os professores desenvolvam essa arte.

Universidade da Criança / Instituto da Inteligência


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Com a participação do Instituto da Inteligência Algarve


20. Como fazer meu filho feliz?

Um abraço faz o meu filho feliz. Um novo brinquedo também o faz feliz. A felicidade pode-se quantificar?
A felicidade é um sentimento geral de bem-estar, prazer e harmonia com a vida. Pode ser feita de instantes de alegria como pode ser uma construção mais ambiciosa e duradoura. A quantificação dos sentimentos como a felicidade pode ser realizada por cada um conforme as suas expectativas e ganhos atingidos.

Existem diferentes felicidades? Existem duas felicidades iguais?
Podemos dizer que existem estados de felicidade que se exprimem através de diferentes sentimentos. Não há felicidades iguais pois até mesmo quando duas pessoas se sentem felizes por se terem casado, por exemplo, cada uma vive, sente e exprime a felicidade de forma diferenciada.

A felicidade mede-se pelo grau de satisfação / insatisfação da criança?
Nas crianças, como nos adultos, a felicidade pode medir-se pelo grau de bem-estar e realização (pessoal e social). Ela resulta de uma auto-avaliação que leva em conta os desejos, os projectos de vida e aquilo que as pessoas ambicionam alcançar. Pode-se ser feliz com muitas poucas coisas, como ser-se infeliz rodeado de recursos e possibilidades.

Quais os padrões que se podem estabelecer para «medir» a felicidade?
Essencialmente esses padrões devem envolver a saúde (bem estar biológico, psicológico e social), a capacitação para tirar partido dos seus recursos pessoais (inteligência, auto-motivação, talento, etc.) e sentimento de aceitação, afectividade e reconhecimento por parte dos outros.

Esses padrões mudam no tempo – os adultos podem comparar se são mais ou menos felizes, devido às vivências, do que gostam e do que já sabem que não gostam, do que lhes dá ou não satisfação. Numa criança (com menor vivência e num processo de aprendizagem e gestão de emoções) como se analisa essa felicidade?
O sorriso constitui uma interessante medida da felicidade nas crianças. A criança infeliz, triste ou desamparada raramente sorri. O sorriso genuíno, aquele que até os olhos o exprimem, estando geralmente presente no dia-a-dia da criança, significa que se sente bem e que está bem consigo e com o mundo.

O bem-estar emocional é a única medida padrão da felicidade da criança? Que outras podem ser apontadas?
O bem-estar inclui também o equilíbrio das funções orgânicas, gozar de saúde, o sentir-se reconhecida e aceite pelos outros e o perceber as suas possibilidades e recursos. Claro que tudo isso resulta em satisfação emocional e, em última instância, sentir-se feliz é perceber esse prazer.

Qual a melhor forma de estabelecer limites e repreendê-la sem ser demasiado severa?
Desde muito novas as crianças devem compreender e aceitar os limites da sua autonomia. Elas devem crescer em liberdade com o direito a exprimir as suas ideias, desejos e vontades. A sua personalidade vai-se desenvolvendo através de uma educação que lhe permita tirar partido dos seus recursos pessoais e que ao mesmo tempo lhe abra as pistas para o desenvolvimento do carácter, do sentido crítico e da noção da responsabilidade. Durante a infância e a adolescência a personalidade constrói-se através do esforço de aprendizagem na relação com os outros (família, amigos, sociedade em geral, etc.).

Qual a melhor forma de regular o comportamento do meu filho, sem recorrer aos castigos? Quando necessário, que tipo de castigos são mais aconselháveis, e quais os proibidos?
As emoções que controlam os comportamentos das crianças são educáveis. Uma boa educação deve por um lado respeitar a inteligência e a autonomia da criança e ao mesmo tempo incutir-lhe hábitos, atitudes e escolhas saudáveis e justas.
O castigo físico é assassino e amordaça a criança gerando uma série de problemas que perdurarão no futuro. As crianças são seres inteligentes e aprendem muito bem a dialogar, a conversar e a pensar bem. Muitos pais não exercitam esse tipo de educação. Mais tarde virá o dia em que se apercebem que os filhos se tornam irascíveis, impetuosos, agressivos e incapazes de manifestaram comportamentos socialmente equilibrados. Muitas crianças tidas como hiperactivas, por exemplo, são apenas crianças que não aprenderam a controlar os seus impulsos. São falsos hiperactivos.


Que tipo de actividades devo partilhar com o meu filho, de forma a aumentar a cumplicidade e os laços entre ambos, e qual a melhor forma de estimular a sua auto-estima?
São muitas mas as mais decisivas e duradouras são a afectividade inteligente dada com equilíbrio (sem excesso de protecção), a atenção, a generosidade, o carinho gentil, a garantia de segurança (psicológica, física, social), a libertação dos talentos e dos seus outros recursos pessoais (criatividade, comunicação, etc.), a aprendizagem para uma autonomia responsável e o desenvolvimento do sentido crítico e justo.

Assertividade, autonomia, segurança, afecto… Com base nestes conceitos quais as doses certas para cada um deles de forma a garantir-lhe felicidade? Eles são sempre garantia de felicidade?
A felicidade é essencialmente uma construção pessoal e depende muito mais do próprio do que dos outros. O papel dos pais é garantir condições para que a felicidade dos filhos seja também um trabalho deles mesmo e não apenas do que lhes garantirem (alimentação, roupa, brinquedos, diversões, cursos, etc.).

Um novo irmão ou irmã ajudam a que uma criança seja mais feliz, ou há o risco de poder sentir-se preterida, ou mesmo de rivalidade entre irmãos?
Tudo é possível. O factor idade também conta. As crianças podem ver um rival num irmão mais novo, pelo menos nos primeiros anos. Caberá aos pais saberem dosear a expressão dos seus afectos de forma que a mais velha não se sinta nunca preterida.

Os pais devem evitar discutir na frente dos filhos?
Devem de todo evitar discutir mas não devem ter medo de conversar junto dos filhos assuntos que, não sendo melindrosos nem excessivamente íntimos, podem até servir para incutir o diálogo, abrir os horizontes mentais das crianças e torná-las mais assertivas. Assim, elas também aprenderão a conversar e a abrirem-se com os pais.

Que tipo de assuntos devem permanecer abertos à discussão em que a opinião da criança seja tomada em conta?
Em geral pode falar-se de tudo aquilo que diga respeito à criança e que a não deixe confusa ou amedrontada. As crianças têm opiniões e estas devem ser ouvidas, conversadas e analisadas respeitando obviamente as limitações que a idade e o nível de desenvolvimento menta possam impor.

O excesso de regras pode deixar o meu filho infeliz, ou uma rotina de horários estabelecida faz com que uma criança se sinta mais segura?
A rotina, neste caso, é uma boa estratégia pois a criança habitua-se aos procedimentos e aceita facilmente realizar os seus deveres. O excesso de regras pode ser útil numa prisão mas nunca numa casa de família.

Quais são os sinais de indicam que o meu filho está feliz? E os que me dizem que está infeliz?
Um simples sorriso pode não indicar felicidade, como o choro pode não ser infelicidade… Esses indicadores podem ser, por exemplo, o sucesso escolar? A timidez? Perturbação do sono?
São vários os sinais que podem indicar um estado emocional negativo numa criança. A ansiedade é um dos primeiros. Ela revela frequentemente insatisfação, medo, dúvida, intranquilidade ou outro tipo de desconforto, nomeadamente físico e orgânico. Perturbações de sono, tiques, agitação anormal, impulsividade, manifestações agressivas sugerem sempre um mal-estar.

Quando o meu filho pede um presente de maior valor, devo oferecer-lho logo que possa ou esperar pela próxima ocasião que o justifique, por exemplo, um aniversário ou o Natal?
A gestão dos presentes é cada vez uma necessidade nestes tempos de consumismo desenfreado. Os presentes devem assinalar um momento especial: um aniversário, um feito nobre, um sucesso na escola, um prémio por algo merecedor de uma distinção, mas não mais do que isso. Há crianças que têm os quartos cheios de brinquedos a que não prestam a mínima atenção pois tornaram-se banais. Perderam todo o sentido para elas.

Os jogos de vídeo podem fomentar o seu isolamento, ou desenvolvem a sua mente?
Podem fomentar as duas coisas ou mais: fomentam o isolamento, o sedentarismo e o egoísmo. O que ganham no desenvolvimento da mente não compensa o que perdem nos outros domínios. Por outro lado, muitos dos jogos, quando a criança já os domina, já não exercitam o cérebro.

De forma geral, que tipo de acontecimentos na vida de uma criança têm mais probabilidade de a afectar negativamente e deixá-la infeliz?
Em geral são as perdas, o desamparo, o abandono, o enfraquecimento da auto-estima, problemas de auto-imagem, a rejeição, o estrangulamento da sua criatividade e a perda de autonomia. Estes e outros acontecimentos são interdependentes e alimentam pensamentos e sensações negativas que vão gerar um sentimento de infelicidade prolongado ou até mesmo crónico dado que ficam registadas na memória, muitas vez na memória não consciente e funcionando como gatilhos para comportamentos desajustados ao longo da vida.
(Texto retirado da entrevista à revista HAPPY WOMAN concedida pelo neuropsicólogo Nelson S Lima, Instituto da Inteligência).

19. Uma mente brilhante

PARTE UM

Um dia conheci um menino que na ocasião tinha 4 anos de idade. Franzino, destacavam-se nele uns olhos muito vivos e um comportamento bastante amadurecido. Trazia uma pequena enciclopédia de astronomia quando entrou no meu gabinete.

Foi a criança que, até hoje, mais me surpreendeu pelas aptidões intelectuais que revelava. Além de demonstrar um conhecimento muito diversificado de matérias, o que lhe assegurava uma extraordinária cultura geral, exibia uma invulgar capacidade de raciocínio. Conversar com ele mostrou-se uma experiência deliciosa. A sua linguagem era fluente, rica de vocabulário e muito expressiva.

A dado momento perguntou-me se eu sabia qual era o maior perigo que o planeta Terra atravessava. Alertou-me logo que eu deveria pensar em algo mais afastado no tempo do que os anos próximos; ele referia-se ao futuro da Terra enquanto astro. Percebi de imediato que dar uma resposta como “aquecimento global”, “poluição” ou “guerra mundial” talvez não fosse o que ele esperava.

Curioso, respondi-lhe com uma pergunta: “O que é que te preocupa?”. Percebeu a minha estratégia e esclareceu-me de imediato que andava a investigar como a Terra iria desaparecer. Pensei logo nas várias possibilidades que têm sido colocadas pelos cientistas: uma colisão com algum objecto gigante do espaço, uma catástrofe natural de dimensões inimagináveis, o definhamento do próprio planeta, etc. Voltei a fazer-lhe uma outra pergunta: “Qual é a tua teoria?”.

O miúdo, vendo o meu interesse, reagiu de imediato com uma resposta que me iria deixar boquiaberto: “A Terra vai afundar-se no Espaço!”... “Como?!” – retorqui. Confesso que nunca ouvira falar de tal coisa. E insisti, já cheio de curiosidade: “Ora explica-me isso. Onde aprendeste essa teoria?”. Resposta imediata: “Em lado nenhum. Fui eu que criei essa teoria!”.

Recostei-me na cadeira, respirei fundo. Rebobinei o filme todo: à minha frente tinha um miúdo de 4 anos e 2 meses de idade que me informava ter uma teoria sobre o fim do planeta Terra! Só me restava continuar. “Ok, sou todo ouvidos.” - disse-lhe.

Para encurtar a história: o menino, que adorava astronomia e muitas coisas mais, encantado com a história do Universo, do nascimento e da morte dos astros ao longo dos tempos, defendia que a Terra sairia da órbita do Sol por “excesso de peso”, o que empurraria o planeta para “o fundo do Universo”. Ou seja, um dia, no futuro, e por força do aumento da população humana, a Terra começaria lentamente a afundar-se no Espaço desprendendo-se da força de atracção do astro-rei!

Cientificamente, a sua teoria não era credível. Penso eu. Mas, o que me fascinou na criança, foi a elaboração mental realizada. Devo dizer que simplifiquei esta história pois a conversa foi bem mais prolongada e envolveu uma acérrima argumentação por parte do miúdo acompanhada de uma série de “evidências científicas”.

O que retenho desse dia foi a extraordinária capacidade de raciocínio, os conhecimentos demonstrados e a perspicácia da argumentação de uma criança com apenas pouco mais de 4 anos de idade.
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PARTE DOIS
Passaram-se cinco anos. Com 9 anos de idade, recuara na sua “teoria” e aprendera a travar as suas ideias “amalucadas” (para usar a expressão de uma professora). O mundo, conforme a escola o estava a ensinar, era feito de realidades concretas e lógicas e que ele deveria aprender de forma organizada para se tornar numa pessoa culta. Apaziguou a sua mente fervilhante de ideias e travou os impulsos criativos. Deixara de explorar caminhos incertos, perdera a arte de questionar. Era um aluno “certinho”, “obediente”, “bem comportado”, aberto ao conhecimento aprovado pelos sábios da Educação. Aprendera também a reprimir pensamentos. Oxalá não se tenha perdido um futuro génio.
Texto de Nelson Lima