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Artigo do Instituto da Inteligência no TOP 10 da IOL

OS 10 SEGREDOS DO SUCESSO NA ESCOLA
Estamos hoje no TOP 10 do portal da IOL.pt com o artigo (em slideshow) "Os 10 Segredos do Sucesso na Escola" do Doutor Nelson S. Lima, director de investigação da EURADEC (Ass. Europeia para o Desenvolvimento da Educação, Alemanha) e do Instituto da Inteligência. Texto originalmente publicado na revista HAPPY WOMAN e agora colocado pelo portal MÃE. Para ver e ler >> www.mae.iol.pt/listas/1206715
Não basta sermos bons pais, temos de ser excelentes!
Hoje, bons pais estão a criar filhos ansiosos, alienados e, às vezes, autoritários.
Quem estimula uma criança a reflectir é um artesão da sabedoria.
As crianças gostam de pensar, mas podem ser ensinadas a pensar melhor.
A educação tornou-se seca, fria e sem tempero emocional.
Cursos para Pais!

Deslocamo-nos a todo o País!

A sociedade está a mudar vertiginosamente. No novo século as transformações estão a acelerar. Valores, princípios, normas e modas influenciam novos estilos de vida e o germinar de novas ideias para a educação no seio familiar. A sociedade está pois em mutação quase tectónica e temos de perceber as suas nuances para nos mantermos como pais autenticamente modernos e equilibrados!

Estilos de Vida e Felicidade
O estilo de vida que adoptamos depende muito da nossa personalidade, da nossa inteligência e da nossa educação. O estilo é determinado pelas preferências e potencialidades disponíveis. Mas ele influencia de forma determinante a nossa saúde, a nossa produtividade e a capacidade de alcançarmos os nossos objectivos. O estilo de vida tem um papel vital na construção da felicidade. Saiba como.

A personalidade: conheça melhor os seus filhos!
O eneagrama é um sistema muito antigo de observação e estudo da personalidade humana e que está actualmente a merecer a atenção de um número crescente de especialistas e psicólogos. O eneagrama permite descortinar a existência dos múltiplos tipos de personalidade e dos seus pontos fortes e pontos fracos ajudando-nos a ajustar as nossas atitudes e comportamentos a cada situação ou pessoa em particular. É, por isso mesmo, um óptimo instrumento de auto-ajuda para con-hecermos ainda melhor os nossos filhos e a sua evolução ao longo dos anos.

Estimule a sua Memória e a dos seus filhos!
A memória é uma estrutura complexa, vital para a nossa vida. Através da memória reconhecemo-nos no nosso passado e percebemos a existência do tempo. Nela se fixam os saberes através das aprendizagens e da experiência. Saiba como poderá ajudar os seus filhos a aprenderem melhor através do uso adequado da memória multifocal!

Ginástica cerebral para a saúde e a longevidade!
A neuróbica reúne um conjunto de exercícios muito divertidos para se obrigar o cérebro a fazer ginástica. O cérebro contem mais de 900 mil milhões de células sendo que 100 mil milhões são neurónios! Precisamos de o manter activo não apenas com aquilo que habitualmente fazemos (estudar, pensar, ler, cantar, passear, etc) mas necessitamos igualmente de o "desbloquear" das rotinas que o tornam, às vezes, muito preguiçoso. E precisamos dar-lhe alimentos correctos e outras ajudas muito, muito importantes!

Criatividade: como nossos filhos podem ser mais brilhantes!
O génio criativo ajudou a Humanidade a sair da Idade da Pedra e, em cerca de 5000 anos, criar civilizações e sair para o Espaço que rodeia o planeta Terra. Um simples telemóvel é fruto de milhares de anos de inteligência criativa. A criatividade é uma fantástica ferramenta da inteligência humana que nos permite ir mais além da vulgaridade. Aprenda a despertar o génio criativo de seus filhos para torná-los mais produtivos e engenhosos agora e sempre.


Sabedoria Emocional Partilhada
A forma como gerimos as emoções deriva da nossa capacidade para as compreendermos. No espectro da emocionalidade humana conhecem-se mais de 150 tipos de emoções e sentimentos. Através das emoções filtramos a percepção do que se passa à nossa volta e reconstruimos a realidade a cada instante. Saiba conviver com as emoções e os sentimentos e ensine os seus filhos a geri-las.

Filhos sobredotados: como os pais podem ajudar!
As crianças sobredotadas necessitam de quem as compreenda. Muitas vezes sofrem em silêncio; outras vezes, estão desajustadas na escola. Ficam agressivas ou isolam-se. Perdem interesse pela vida quando o seu mundo parece desmoronar-se. Venha compreender os "porquês" e aprender como ajudar a resolver as situações de conflito e de ambiguidade.

Será que meu filho é índigo? Mitos e realidades de uma crença.
Dizem os mais ousados nesta matéria que 80% das crianças de hoje são do tipo índigo, isto é, crianças dotadas de uma aura muito especial que faz delas mais intuitivas, mais espirituais e mais sensíveis. Tenhamos cuidado pois há muita especulação em torno desta matéria. Não obstante, há crianças que manifestam certos traços próximos dos que caracterizam as crianças índigo. Venha saber mais sobre esta matéria. Contacte-nos.

VISITE REGULARMENTE ESTA PÁGINA PARA CONHECER AS ACTUALIZAÇÕES E NOVAS ACTIVIDADES!

Há três projectos fundamentais que temos de recuperar e que definem o progresso da Humanidade: a liberdade, a felicidade e a dignidade!

Instituto da Inteligência: evento em Chaves!

Nelson S. Lima e Regina Fontes foram os animadores do workshop para pais e professores realizado no dia 27 de Novembro (sábado), na cidade de Chaves.
Esta actividade foi organizada pelo nosso parceiro A Casa da Matemática dirigida por Luis Camoesas e com o apoio de diversas entidades. (clique sobre a imagem para ampliar o poster).

OS 10 SEGREDOS DO SUCESSO NA ESCOLA

1. Os magníficos 4Ps (Pais, Professores, Pediatras e Psicólogos)
Os 4Ps significam os "especialistas" que podem ser determinantes para o sucesso escolar do seu filho: os pais (a família) cujo papel assume particular relevância na criação de condições para o bom aproveitamento escolar; os professores pela sua intervenção como agentes de ensino e alargamento dos horizontes dos alunos; os pediatras porque podem aconselhar na promoção e protecção da saúde dos nossos filhos; e, finalmente, os psicólogos cuja acção pode ser decisiva para combater medos, ansiedades e outras formas de bloqueio a uma boa aprednizagem.

2. Palavra de ordem: motivação!
O cérebro funciona muito melhor quando gostamos daquilo que fazemos! O mesmo acontece nas aprendizagens: a atenção, a compreensão, o raciocínio e a memória são estimuladas pelas emoções positivas. É importante que o seu filho, seja qual for a sua idade, sinta prazer em andar na escola e ali aprender novas matérias, habilidades e competências. O ensino não deve imposto como uma obrigação mas como um direito, uma conquista do progresso da humanidade. Esta perspectiva opera, por vezes, verdadeiros milagres na atitude das crianças em relação ao papel da escola!

3. Mantenha o seu filho saudável!
Aprender bem e com prazer é mais fácil quando os nossos filhos estão de boa saúde. Todos os estados, orgânicos e psicológicos, que contribuam para a sensação de bem-estar aumentam em 50% a capacidade de aprender e a aquisição de novas habilidades como ler, escrever, calcular, etc. Aconselhe-se com o pediatra e tome medidas para que a retaguarda da vida de seu filho esteja protegida. Tenha especial atenção a doenças crónicas (asma, etc.), eventuais problemas cardiovasculares (50% das nossas crianças correm algum tipo de risco nesta matéria!) e hiperactividade. Mantenha as vacinas em dia e o controlo do stress (um dos grande inimidos da saúde é o stress e muitas crianças são alvo de problemas orgânicos devido a esse factor).

4. Não descure na alimentação!
O cérebro consome 20 a 25% da energia fornecida pelos nutrientes que nos chegam através da alientação. Isto significa que uma dieta saudável e equilibrada, baseada em refeições com menos sal, menos açúcar e menos gorduras saturadas, é indispensável para um cérebro que vai precisar de muito esforço. Na alimentação - que inclui a repartição equilibrada das horas de comer - reside mais de 30% dos factores que auxiliam nas novas aptrendizagens e na retenção das antigas.

5. O sono trabalha para a memória!
Hoje sabe-se que uma boa noite de sono (de 8 a 10 horas) é condição indispensável para a fixação de novas memórias (novas aprendizagens). Noites mal dormidas reduzem drasticamente a capacidade de concentração e, como consequência, os nossos filhos sentem-se fatigados nas aulas, desatentos e desinteressados. Seja firme na fixação do horário para deitar.

6. Gerir o tempo de estudo!
As crianças passam cada vez mais tempo na escola e as aulas são longas, para além dos TPCs (trabalhos de casa) e outras actividades que vão aumentando em número e variedade à medida que o percurso escolar avança. Há crianças que não aprendem a ser organizadas e estudam sob stress provocado pela confusão de manuais, cadernos e trabalhos que têm de gerir sozinhos. Em casa, devem estudar por períodos de 10 a 20 minutos, seguidos de intervalos de 5 a 10 minutos para que o cérebro tenham tempo de assimilar toda a nova informação. Muitas das dificuldades de aprendizagem
residem simplesmente na falta de organização.

7. Controlar a ansiedade!
Estes são 2 perigosos inimigos de quem está envolvido em aprender e ser sujeito regularmente a avaliações. O stress e a ansiedade podem paralizar completamente a capacidade de aprender e sobretudo de recordar conhecimentos já adquiridos. Ensine o seu filho a gerir o stress através da respiração, da meditação e de algum exercício físico que promova o relaxamento. Pode inscrevê-lo num centro de ioga para crianças, num grupo coral, num escola de teatro ou de dança. Peça também ajuda a um psicólogo se sentir que lhe pode ser útil (tenha em agenda o nome e os contactos de um psicólogo de referência tal como o faz com o pediatra).

8. Incentive mais o trabalho do que o talento!
Estudos recentes sugerem que a inteligência e o talento não constituem as chave do sucesso na vida e também na escola. Na maioria dos casos de gente famosa em várias áreas de actividade verificou-que é o trabalho árduo, a dedicação apaixonada e a chamada "aplicação deliberada" que conduzem ao êxito mais do que uma mente sobredotada, onde a inteligência e o talento se destacam. Assim, procure incutir no seu filho hábitos de trabalho e aplicação nos estudos, mais do que confiar na sua eventual mente brilhante e talentosa.

9. Não ignore a escola
Existe, muitas vezes, um grande divórcio entre os pais e os professores. Ora é necessário que os pais sigam atentamente a evolução académica e comportamental dos filhos na escola, o que obriga a que não faltem às reuniões regulares que os professores agendam. Se possível, faça parte também da Associação de Pais existente na escola e seja interventivo. O seu filho sentir-se-á mais apoiado se perceber que os pais estão "com ele" na escola e que estão ali para o ajudar e não para o "controlar" ou censurar.

10. Consulte o psicólogo
Mesmo que tudo pareça estar bem com o seu filho marque, pelo menos uma vez por ano, uma consulta com um especialista em psicologia para que este possa fazer uma avaliação geral e forneça-lhe um diagnóstico da saúde mental e emocional. Através dessa avaliação poderá descobrir aspectos interessantes e úteis para uma melhor compreensão do seu filho e receber dicas que ajudem à evolução da criança. Não é por acaso que os médicos pediatras sugerem, cada vez mais, uma avaliação psicológica geral às crianças mesmo que tudo pareça estar normal.

Nelson S. Lima
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Sabia que os novos dados existentes sugerem que as crianças nascidas através de cesariana são mais inteligentes? (informação prestada pelo neurocientista Michael S. Gazzanica, presidente do Instituto de Neurociência Cognitiva, fundador da Cognitive Neuroscience Society, com uma brilhante carreira de ensino e investigação na Universidade da Califórnia, Cornell University Medical College, New York University Graduate School e outros estabalecimentos; autor de numerosos livros de divulgação).

Nas sociedades agrícolas os filhos são considerados um bom investimento enquanto nas sociedades desenvolvidas são considerados uma despesa (estudo da Universidade de Hong Kong).

O dever de obedecer sempre à autoridade é um dever escravizante. O dever de obedecer sempre à inteligência é, pelo contrário, libertador.

É preciso acostumar as crianças a cumprirem o seu dever e acrescentar que é a sua inteligência que lhe indicará, em cada momento, qual é esse dever (sugestão do pedagogo e filósofo espanhol José António Marina).

AS 10 MELHORES BRINCADEIRAS DO VERÃO

Informações e entrevista completa de Nelson Lima, do Instituto da Inteligência, à revista HAPPY WOMAN (Agosto 2010).

Praias e parques incentivam actividades muito agradáveis desde que se solte a imaginação. O importante é afastar os hábitos e as rotinas e experimentar novas situações.
Eu proponho sempre a criatividade como a grande amiga das férias. É ela quem ajuda a inventar coisas diferentes. E isso é importante também neste período porque é fácil criarmos rotinas mesmo no local das férias. E então metade do que poderíamos aproveitar para ter dias diferentes perde-se.

Passeios:
É a mais fácil das actividades. Caminhadas ao longo dos areais ou em parque e jardins é divertido e tonifica o organismo, incluindo o cérebro. Pode-se criar um roteiro diferente todos os dias, explorando pormenores ou descobrindo novos cenários na paisagem.
Observar recantos naturais:
É uma verdadeira actividade de neurofitness pois exercita os sentidos, em especial a visão, a audição e o tacto. Deve-se poder tocar nas coisas da natureza: a água, as rochas, as plantas, etc.
Coleccionismo:
Pode-se aproveitar para colher folhas de árvores mais exóticas, pedrinhas invulgares e conchas da praia. Podem ser levadas para casa e depois estudadas através da consulta a enciclopédias ou na internet, fazendo cadernos com os apontamentos que nos interessem. Acaba-se por aprender algo mais sobre botânica, minerais e outras ciências.
Fazer explorações tipo Indiana Jones:
Muitos sítios permitem passeios mais ousados e excitantes. Pode-se levar binóculos e máquina fotográfica para captar os momentos mais atractivos das aventuras. Com calçado apropriado e lanternas é possível explorar grutas, recantos, bosques ou até o fundo marinho junto à praia. O importa aqui é segyuir o espírito de aventura, o que torna esta actividade diferente do simples passeio turístico.
Construir brinquedos:
As crianças hoje em dia têm todo o tipo de brinquedos ao seu dispor mas os que elas mais gostam é de os inventar. E os mais simples são os mais fascinantes pois as crianças têm de pensar e ter ideias. E depois acontece que elas relaxam e até entram no que se chamam estados de "fluxo" - uma concentração profunda mas muito aprazível em que se perde a noção de tempo. Podem construir barquinhos, carros de tamanhos diferentes, bolas de diferentes materiais, papagaios, planadores de papel, etc. Os mais conhecidos são as construções de areia mas também se pode criar casas, castelos e outros edifícios (em cartão, barro, plasticina, etc.).
Desenhar e pintar:
Pode-se incentivar as crianças a reproduzirem paisagens ou objectos sob a forma de desenhos, pinturas, fornecendo-lhes os materiais necessários e mais acessíveis. Pode-se inscrevê-las em oficinas de pintura para aperfeiçoarem a técnica. Desenhar mapas ou escrever histórias tendo como cenário o local de férias é outra excelente oportunidade para desenvolver a mente.

AS DEZ MAIS:

1. Passeios de descoberta (com os pais) a sítios desconhecidos, mesmo que sejam perto de casa ou então fazer entrevistas aos habitantes para recolher informações de como era a vida antigamente na localidade das férias.
2. "À Indiana Jones" (brincadeiras de exploração de recantos, grutas e bosques sob supervisão de um adulto).
3. Construir brinquedos em cartão, madeira, barro, areia molhada ou outro material (castelos, casas, veículos, barcos com vela, etc.).
4. Registar em desenho e pintura pormenores do local de férias (fontes, ruas, jardins, etc.).
5. "O investigador científico" (observar, descrever em caderno, desenhar ou fotografar plantas, animais e rochas para depois estudar consultando a internet ou enciclopédias).
6. "Neuróbica for kids" (jogo dos sentidos e concentração, realizado em grupo, em que cada criança tem de identificar, através de sons, visão de partes de figuras, cheiros e o tacto (com os olhos vendados), diferentes artefactos e situações.
7. "À Sherlock Holmes" (jogos em grupo para descobertas de enigmas na praia ou em parques e jardins).
8. "À Harry Potter" (jogos de magia e ilusionismo que podem ser inventados na hora)
9. O mapa do tesouro (jogo em que alguém esconde um objecto - o tesouro - e fornece pistas enigmáticas para que seja possível construir-se uma rota que leve à sua descoberta).
10. Contadores de histórias hilariantes (em grupo, inventam-se partes de histórias, as mais excêntricas possíveis, registam-se num gravador e depois colam-se as diferentes secções, o que dá origem a situações inimagináveis).

ENTREVISTA:
1. Quais são as 10/ 12 melhores brincadeiras e jogos para os pais fazerem com os filhos na praia e nas férias? Explique em que consistem.

Sem esquecer que às crianças devemos também dar espaço e tempo para brincarem sozinhas não deixa de ser igualmente uma excelente oportunidade para os pais também aderirem. Podemos dividir as brincadeiras em dois grupos: as que envolvem actividade física e as que requerem mais o intelecto. As físicas são excelentes para o organismo. Passear, correr em parques ou na praia, observar recantos naturais, coleccionar conchas ou pedrinhas, fazer explorações ao estilo "Indiana Jones" em bosques ou entre as rochas, fotografar detalhes engraçados das paisagens, construir barquinhos em madeira e brincar aos piratas, etc. Nos jogos mentais pode-se pintar as pedrinhas recolhidas na praia, desenhar folhas de plantas ou paisagens ao vivo, ler ou contar histórias, fazer mapas e desenhar percursos, jogar aos tesouros escondidos, etc. O importante é evitar os brinquedos e jogos mais domésticos, sedentários, e aproveitar o espírito criativo e aventureiro que o Verão proporciona.

2. As brincadeiras e jogos destinam-se a idades diferentes? Quais?

Com as devidas adaptações este tipo de brincadeiras e jogos servem a todas as idades, a partir dos 3 ou 4 anós de idade e os pais acabam por ser os primeiros a beneficiarem com isso. Além de se divertirem têm uma excelente oportunidade para conviverem com os filhos de uma forma interactiva e desafiante.

3. Qual é a melhor idade para começar a realizar os jogos e brincadeiras na praia?

A melhor idade é a partir dos 3 ou 4 anos mas atingem o seu melhor a partir dos 7 anos de idade pois já têm uma outra visão do mundo e isso permite-lhes tirar maior partido dos jogos.

4. Existe alguma idade em que eles prefiram brincar com irmãos ou amigos, no lugar dos pais?

Depende da relação entre eles. As crianças são egocêntricas e às vezes preferem estar sozinhas nas suas brincadeiras para se concentrarem melhor. Mas com a ajuda dos pais é possível criar um espírito de equipa entre 2 ou mais irmãos. O que importa é a diversão, a alegria e os ganhos para a saúde que o divertimento proporcionam.

5. Há jogos e brincadeiras que se destinam apenas a meninos e outros a meninas?

O mito de que as meninas preferem bonecas e os meninos automóveis não faz sentido e isso está ultrapassado. O Verão é altura de partir para outros brinquedos, o mais artesanais possíveis. Tal como antigamente, as crianças gostam de criar brinquedos mesmo que saiam toscos. A imaginação dá-lhes a forma final que desejarem mesmo que seja apenas em imaginação. Com um simples papel faz-se um avião-planador em forma de asa delta. Ou com 4 rolhas e uma tabuinha pode-se fazer uma jangada pequenina.

6. As brincadeiras e jogos de praia contribuem para o desenvolvimento da criança? Em que medida?

Sem dúvida. O Verão, até pelo Sol e o tempo livre disponíveis, é uma época que facilita a saúde e a aceleração cognitiva, através não apenas do ambiente descontraído mas também porque a imaginação está mais solta.

7. Qual a importância dos jogos e brincadeiras de praia na relação entre pais e filhos?

Estando pais e filhos num período em que o stress desce para níveis muito baixos e os compromissos e as correrias da época escolar ficaram para trás, o importante é a convivência, o contacto directo, o informalismo das conversas, as emoções positivas e saudáveis. Isso tudo reforça os laços entre todos e contribui para unir a família.


8. Quais as principais vantagens destas brincadeiras e jogos de praia?

Cognitivamente estimulam a imaginação e o espírito de descoberta. Ao nível orgânico favorecem a saúde em geral. E socialmente reforçam os laços entre pais e filhos.

9. Existem algumas desvantagens ou perigos que estejam relacionados com as brincadeiras e jogos de praia?

Os únicos perigos são os que decorrem de algum excesso de exposição a riscos (raios solares, quedas, etc.) ou de alguma intolerância por parte ou dos pais ou dos filhos. As brincadeiras e os jogos devem ser planeados e acordados entre todos. Ninguém deve impor nada. Afinal, é tempo de férias.

10. Existem acessórios (barcos, bóias, baldes, bolas…) imprescindíveis que possam representar mais-valias nos jogos e brincadeiras de praia entre pais e filhos?

Sim, o mercado oferece hoje um largo leque de artefactos mas é desejável inventar brinquedos como faziam as crianças antigamente. Está provado que as crianças de hoje também gostam de criar os seus brinquedos e jogos. Elas são criativas por natureza. Podem inventar muitas coisas e isso já é uma forma de se divertirem. Basta dar-lhes oportunidade e incentivá-las.

SOBRE A MENTIRA NAS CRIANÇAS

Entrevista à revista HAPPY WOMAN
Jornalista Mafalda Galambas

1.É muito frequente as crianças mentirem?

Nelson S. Lima: Podemos acreditar que sim. Mentem. Tal como mentem os adultos. A mentira pode ser entendida como uma táctica ou como uma estratégia. Como táctica faz parte do "jogo social" e a mentira aparece inserida em imprecisões, omissões, alterações nos conteúdos da comunicação e ocultação. Como estratégia é algo mais elaborado, intencional e visa o médio e o longo prazo. Esta é mais própria dos adultos e nem sempre é isenta de riscos para ambas as partes (quem mente e quem é vítima da mentira).

2.Trata-se de um comportamento mais comum em que idades?

A mentira nas crianças é mais uma táctica usada como um jogo defensivo dos seus interesses, seja por medo, vergonha ou simplesmente aplicação do logro. Aparece por volta dos 4-5 anos de idade. O logro é comum em muitos outros animais e parece pois ser instintivo e ligado à sobrevivência. Nos humanos pode atingir proporções perigosas.

3.Acontece, geralmente, numa altura em que as crianças já são capazes de distinguir a diferença entre Verdade e Mentira?

Sim, quando já têm perfeita consciência de si mesmas e do que as separa dos outros, incluindo os interesses próprios e os alheios. A criança percebe que a mentira pode protegê-la de castigos, de chamadas de atenção incómodas. A mentira é inicialmente uma táctica de ocultação e só depois evolui para níveis mais elaborados e criativos.

4.A mentira é, habitualmente, utilizada com que intuito?

Defensivo. Mas também pode surgir como forma de ludibriar os outros para atingir benefícios. Desenvolve-se nas brincadeiras entre as crianças onde a mentira nasce muitas vezes do "faz de conta" e da fantasia. Veja-se que as vestes carnavalescas não deixam de ser, na sua essência, uma forma de enganar os outros por puro divertimento. É um patamar anterior à mentira: o logro, o ardil.

5.Quais as principais razões? (Chamar a atenção? Receio de alguma consequência de algo que tenha cometido? Medo dos pais? Necessidade de transmitir uma imagem melhor?...)

De tudo um pouco conforme as situações e as circunstâncias mas sempre dependente da personalidade, da educação, do carácter da criança. O medo pode levar uma criança a refugiar-se em qualquer forma de mentira pois sente-se protegida. Mas a criança também pode fantasiar (mentindo) para chamar atenção e obter benefícios afectivos.

6.O facto de a criança recorrer a mentiras pode reflectir um comportamento que lhes é “familiar”? (Podem fazê-lo por imitação?)

Se ela viver num clima onde a mentira é de uso corrente ela aprende por pura imitação. E torna-se mentirosa. As consequências podem ser desastrosas na adolescência e na vida adulta.

7.A criança tem sempre consciência do que está a fazer? Ou, a mentira pode inocentemente ser fruto da sua imaginação?

Tem consciência mas nem sempre percebe o problema sob o ponto de vista da ética e da moral. Inicialmente, ela pode mentir apenas porque está a fantasiar. Afinal, o mundo mente-lhe. Veja uma mentira: o sol não anda à volta da Terra. A verdade está oculta por fenómenos físicos e astronómicos que ludibriam o nosso cérebro. Repare também nesta situação corrente: quando a criança tem medo do escuro ela imagina "papões" que não existem. Então algo está a mentir-lhe. Mas é ela que cria a própria mentira que é ver "monstros" onde eles não existem.

8.Quem são as maiores vítimas das suas mentiras? Os pais? Os amigos e professores?

A primeira vítima é o mentiroso pois enganando os outros está a entrar em "conflicto" consigo mesmo pois ele sabe a verdade e procura alterá-la, fazendo-o viver em contradição. E isso pode ser bastante incómodo. É essa incomodidade que muitas vezes vai fazê-lo revelar a verdade involuntariamente. Os processos cerebrais da informação são postos em choque com a verdade. O conflito torna-se neurológico e mental. Por isso, viver na mentira é desgastante, física e psicologicamente.

9.Também acontece serem os próprios pais a incitar a criança a mentir?

Sem dúvida. Isso acontece quando os pais vivem num ambiente de mentiras, ocultações e contradições. As crianças percebem desde cedo que em tudo há mentiras. Quando ouvem a mãe ou o pai mandarem dizer que "não estão" para, por exemplo, não terem de atender alguém inoportuno. Basta esse tipo de jogos para elas descobrirem que a mentira faz parte das tácticas sociais de sobrevivência e de oportunismo.

10.Este tipo de comportamento por parte das crianças acontece com maior frequência quando têm pais repressivos?

Quando os pais são autoritários e repressivos as crianças sentem-se impelidas a mentir para se defenderem de castigos. É uma das consequências nefastas do excesso de autoridade e da falta de diálogo e de abertura. Acredito que os pais autoritários são tendencialmente os mais mentirosos.

11.Pode ser um ciclo vicioso?

Torna-se num ciclo vicioso. Mente-se para sobreviver; sobrevive-se melhor mentindo sempre que seja necessário. É o raciocínio lógico de um comportamento automático.

12.Os vários tipos de mentira podem ser classificados? (Ou uma mentira é sempre uma mentira não havendo qualquer tipo de justificação para o facto?)

Há, pelo menos, cinco tipos de mentira e vários graus. Uma é a mentira fruto da fantasia infantil. Outra é o logro (o jogo de ludibriar) para obter benefícios imediatos. Outra é a mentira que se torna crime (fraude, etc.) e que obedece, por vezes, a uma pormenorizada planificação (mais própria dos adultos e do crime organizado). Há também a mentira política que faz parte do marketing eleitoral e do jogo da persuasão e, finalmente, a mentira comercial que tantas vezes usa a publicidade como veículo de arremesso.

13.Como devem os pais ou educadores da criança reagir ao “apanharem-na” a mentir?

É uma boa oportunidade não para lições de moral mas para todos os intervenientes pensarem porque a mentira aconteceu.

14.Devem os pais falar com os filhos abertamente sobre os aspectos negativos da mentira?

Sim, desde que tenham autoridade moral para o fazer. Se as crianças "apanham" mentiras aos próprios pais como podem eles reclamar e dar lições sobre os malefícios da mentira?

15.Tem alguma sugestão que os pais possam colocar em prática e que sirva de incentivo aos filhos a habituarem-se a dizer sempre a verdade?

Para começar, os pais devem apostar no exercício da honestidade e da franqueza. Sem medo. As crianças aprendem por imitação. Assim, se os pais forem pessoas honestas e francas não precisam preocupar-se com o problema. Mas, muitas vezes, os filhos aprendem com os outros a mentir descaradamente. Aí, os pais honestos estarão à vontade para escolherem a forma mais adequada para desincentivarem a mentira como recurso.

16.Como devem os pais fazer valer a opinião de que mentir não é solução? Como fazer as crianças perceber o erro?

Os pais podem contar histórias ou relatar casos da vida em que a mentira resultou em problemas. Nos casos reais encontram-se os melhores exemplos para as lições sobre a arte de viver.

17.Este tipo de comportamento já reflecte alguns traços de personalidade da criança que venham a ser determinantes enquanto adulto?

Sem dúvida. Há muitos factores que predispõem as crianças para mentirem com mais ou menos frequência e gravidade. E depois há ainda quer o ambiente familiar quer o meio envolvente (os amigos, os conhecidos, a vizinhança, os filmes, etc.) que podem acelerar e aprofundar o problema.

18.Alguma coisa relevante que queira acrescentar?

Há, hoje em dia, muitos jogos electrónicos em que a mentira, embora disfarçada, faz parte das tácticas. É importante que os pais levem isso em consideração e se informem sobre os conteúdos desses jogos. Alguns podem ser uma verdadeira escola de mentira pois o jogo é, ele próprio, um produto da fantasia e da pura invenção. E podem incentivar o uso da mentira para as melhores jogadas. Há que reflectir sobre isso.
Entrevista publicada no número de Maio 2010.

Crianças caladas, crianças tímidas?

Que sinais transmitidos pelo silêncio da criança podem os pais ler?
- Há vários sinais que nos devem alertar: perda rápida de interesse por actividades que geralmente a atraíam, apatia, tristeza persistente, choro frequente, enurese (urinar na cama), queixas físicas difusas ou mutismo. Quaisquer outros sinais que sejam contrários ao tipo de personalidade da criança e do seu temperamento devem também ser entendidos como alerta. Há crianças introvertidas que têm comportamentos retraídos mas isso pode significar nada de preocupante. Nas extrovertidas e sociáveis as alterações de atitude e de disposição de ânimo são mais visíveis. Se o silêncio, a melancolia e até o isolamento se instalarem de forma inesperada e constante podemos estar perante algum problema sério.

Quais os indícios mais evidentes de que estamos perante um caso susceptível de preocupação pelo facto de tratar-se de uma criança excessivamente calada/reservada/introvertida?
- Se a criança for excessivamente introvertida fecha-se nos seus sentimentos e pensamentos, vive no seu casulo, torna-se reservada, assim como comunica e interage pouco. A introversão, numa sociedade aberta como é a sociedade humana, é um traço de personalidade que, quando em excesso, inibe a pessoa na relação com os outros e torna-a mais susceptível a sofrer de timidez, sentimentos de vergonha, medos vários e desenvolver algumas patologias associadas à neurose (ansiedade, estados depressivos, fobias, etc.). A sua personalidade pode apresentar distúrbios com reflexos nos comportamentos, no desempenho escolar, nos relacionamentos, etc.

Quais as razões mais frequentes que levam uma criança a ser mais calada que o habitual?
- Vários sentimentos podem tornar uma criança calada e inibida: timidez, vergonha e medo são os mais frequentes. As razões podem estar relacionadas com problemas familiares, experiências de vida negativas, ameaças de agressão, etc. A depressão pode também ser a responsável. Estima-se que 2,5% das crianças entre os 5 e os 12 anos já sofrem de depressão, sendo mais vulgar nos rapazes. Um alerta aos pais: as crianças com depressão costumam ser caladas e obedientes, e, por conseguinte, com um comportamento que não suscita suspeitas. Problemas na família (divórcio dos pais, ambiente hostil, mudança de residência) e na escola podem levar a sentimentos semelhantes à depressão, sendo o mutismo um dos sintomas habituais.

Qual esta fronteira? Quando podem os pais perceber que o silêncio de determinada criança ultrapassa o “normal”? (Quando deixa de ser personalidade e passa a ser patologia?)
- A fronteira pode ser muito ténue. Pais atentos e informados percebem essas nuances. Claro que tristeza ou mutismo passageiros são normais e fazem parte da flexibilidade emocional, o que é saudável. Os pais também não devem preocupar-se de imediato mas quando percebam algo de anormal será bom ouvir outras pessoas que convivam com a criança (irmãos, colegas mais íntimos, professores e outros familiares) para verificar se o problema também é testemunhado por outras pessoas.

Podemos dizer que se refugiam num mundo só delas?
- Os introvertidos lidam melhor com esse tipo de situações pois a sua personalidade permite-lhes viver emoções profundas, estar sozinhas e serem mais ou menos inacessíveis aos outros sem problema de maior. Já os extrovertidos, voltados para o mundo exterior, adaptam-se bem a diferentes tipos de pessoas e a situações novas. Quando estas se remetem para comportamentos fechados e perdem o sorriso que lhes é próprio algo se poderá passar. Não apenas se refugiam no mundo delas como também se fecham ao mundo e aos outros. E, em muitas crianças, essa situação pode ser uma experiência castradora da autoconfiança, do prazer de viver, da criatividade e das aprendizagens.

Como devem os pais agir perante este tipo de personalidade?
- Quando as crianças se tornam fechadas, inacessíveis, caladas, algo não está bem com elas. Se for um caso de personalidade adquirida (aquela com que se nasce) deve-se orientar no sentido de aliviar essa tendência anti-social, que pode prejudicá-la. Se for fruto de aprendizagens (personalidade aprendida) devido ao meio familiar, aos medos desenvolvidos e outras formas de repressão é preciso descobrir como isso aconteceu e libertar os recursos da criança para ela voltar a ser feliz e aberta para o mundo.

Devem contrariar a criança ou deixar que permaneça calada e anti-sociável?
- Contrariar não será a palavra certa mas devem motivá-la para a socialização com os outros. É evidente que a combinação da predisposição biológica, do temperamento, do estilo cognitivo e de outros factores podem cultivar comportamentos menos sociáveis. Em última instância podemos estar perante um distúrbio de personalidade anti-social. Neste caso verifica-se uma inflexibilidade adaptativa. A criança adopta um comportamento defensivo, evita o contacto com os outros e até pode tornar-se agressiva. A agressividade pode ser um sintoma de sofrimento interior profundo. Mas isso também pode ser devido a outras perturbações de personalidade que não apenas a anti-social. A generalidade dos transtornos de personalidade gera relacionamentos interpessoais disfuncionais.

Devem encorajá-los e ensiná-los a serem mais abertos e extrovertidos? De que forma?
- É necessário distinguir os comportamentos resultantes de situações pontuais daqueles que derivam de perturbações de personalidade. Veja-se o seguinte: o negativismo, o pessimismo, a inibição emocional, o sentimento de fracasso e de vulnerabilidade que estão presentes em algumas situações devem-se a esquemas cognitivos (estruturas mentais rígidas) que se estabelecem na infância e têm como causas, geralmente, o tipo e modelo de família e da educação recebida. Famílias severas, exigentes, rígidas e tendencialmente punitivas desenvolvem comportamentos evitantes e inibições, negativismo e pessimismo. É necessário que os pais tenham consciência do efeito que o modelo de família criado tem sobre os filhos. Para ajudar uma criança a ser mais aberta tem de se instalar nela sentimentos de autoconfiança, uma forte auto-estima, o prazer de viver e a alegria.

Como conseguir dar a volta a um perfil destes?
- É difícil transformar uma personalidade pois ela tem raízes biológicas onde o factor genético é muito forte. Se a criança é introvertida será impossível transformá-la numa extrovertida. Mas pode-se aliviar alguns dos traços que caracterizam a introversão através de um ambiente familiar que promova a abertura das emoções, o diálogo, a partilha, a convivência sadia e o prazer das relações interpessoais. O problema da introversão é quando os seus traços distintivos são agravados por uma educação castradora que leva a criança a refugiar-se ainda mais no seu mundo.

Isto é mais evidente em que idades?
Geralmente estes traços tornam-se mais evidentes entre os 5 e os 12 anos de idade.

Quais os erros mais comuns praticados pelos pais?
- Infelizmente há muitos erros de educação que podem perturbar e adulterar a personalidade das crianças. Famílias desligadas, rejeitadoras, imprevisíveis, muito exigentes ou perfecionistas adoptam valores, princípios e regras que podem levar a comportamentos que inibem os filhos com tendências mais introvertidas. O maior perigo reside no facto das crianças sujeitas a tais modelos familiares passarem a desenvolver esquemas que podem ir desde a super-vigilância (aumentando a ansiedade e o stress) até à limitação dos seus recursos (inteligência, capacidade de aprendizagem, criatividade, poder de iniciativa, etc.).

Que dicas poderiam indicar aos pais para conseguirem com que os filhos falem mais?
- Os pais devem libertar-se dos seus problemas pessoais e também, caso os tenham, dos seus próprios esquemas mentais rígidos adquiridos na infância. Não há pais perfeitos mas há muitos erros e lacunas que podem ser evitados desde que eles percebam as suas próprias limitações e os erros que cronicamente repetem. Os pais devem criar um ambiente familiar leve e prazeroso, em que se autoriza e promova o diálogo, a liberdade de expressão emocional (nunca a repressão) e em que se enalteçam os comportamentos positivos. O ambiente em casa, decorrente da forma como os pais gerem os relacionamentos interpessoais e os estilos de vida, é determinante. Não se espere que os filhos sejam felizes, ampliem as suas capacidades e conversem abertamente se o ambiente for doentio ou repressor.

As próprias crianças sofrem?
- Sim, muito. E frequentemente em silêncio. Quando isso acontece por longos períodos as crianças podem adoecer. Além do medo, da ansiedade e da depressão (que está a aumentar entre a população infantil e os adolescentes) podem desenvolver doenças psicossomáticas e orgânicas.

Quais os efeitos no desenvolvimento de uma criança a médio e longo prazo?
- Os efeitos podem ser os mais diversos: alterações comportamentais, insucesso escolar, distúrbios da personalidade, desenvolvimento de estados depressivos, vulnerabilidades psicológicas e orgânicas, encurtamento da longevidade, etc.

É considerado um distúrbio?
- O mutismo e outras anomalias são considerados distúrbios psicológicos. Podem ser adquiridos, geralmente após choques afectivos. No caso do mutismo ele tende a ser selectivo ocorrendo em lugares variáveis, como em casa, com os pais ou outros membros da família, ou ao contrário, extra-familiar, na escola ou em outros ambientes.

É uma reacção que acontece (apenas) quando as crianças estão deprimidas?
- Não só. A criança que fala pouco ou que evita falar pode ter muitas razões (algumas inconscientes) para adoptar esse comportamento (com os seus efeitos nos conteúdos de pensamento, nas emoções, nos comportamentos e na saúde).

É aconselhável levar a criança ao médico - ao pedopsiquiatra?
- Se o mutismo se mantiver é absolutamente necessário descobrir as causas e isso aconselha a que se procure urgentemente o médico de família ou um especialista em pedopsiquiatria.

Algo que queira acrescentar e que eu não tenha abordado, mas que seja relevante?
- No mundo de hoje, com muitos problemas sociais (divórcios, desemprego, insegurança, ampla informação sobre calamidades, guerras, doenças, etc.), é perfeitamente natural que as crianças sofram, cada uma à sua maneira, de fragilidades psicológicas, sobretudo de índole emocional e afectiva. Esses problemas reflectem-se nas suas atitudes, comportamentos, desempenho escolar e no aproveitamento da inteligência. Há casos graves de pseudodebilidade mental (grave inibição intelectual, em que a criança é incapaz de aproveitar todas as suas capacidades cognitivas) e que são provocados por sofrimento afectivo intenso e prolongado. Ora tudo isto deve fazer-nos reflectir sobre o tipo de sociedade que estamos a construir e o papel da educação (familiar, académica, etc.).
Texto integral da entrevista do doutor Nelson S Lima (Instituto da Inteligência) à revista HAPPY WOMAN (Copyright 2010).

Artigo sobre sobredotados na HAPPY WOMAN

Já saiu a edição de Fevereiro 2010 da revista HAPPY WOMAN (na foto a capa de Janeiro).
Nas páginas 184 a 186 fala-se sobre crianças sobredotadas e seus problemas de integração escolar. São relatados alguns casos, com o testemenunho directo de vários pais.
O Instituto da Inteligência, uma vez mais, foi chamado a colaborar. Para quem quiser, há lá uma lista de dicas dos nossos serviços de psicologia.
Para saber mais sobre estas crianças entre em www.academiadesobredotados.com

Ser um filho único é sinónimo de egoísmo?

Entrevista fornecida pelo Instituto da Inteligência ao jornal "i".
Entrevista com o doutor Nelson S Lima, do Instituto da Inteligência (versão integral).

- Ser filho único é sinónimo de egoísmo?
De maneira alguma!. Ser filho único tanto pode apresentar-se como uma experiência gratificante como decepcionante (para o próprio e para os outros). Ou nem uma coisa nem outra. Primeiro, os sentimentos relacionados com a condição de ser filho único dependem da personalidade (sobretudo da estrutura emocional adquirida através da família) e da qualidade dos laços estabelecidos com os outros (familiares, amigos, etc.). Segundo, ser filho único é cada vez mais uma realidade frequente devido ao decréscimo dos índices de natalidade, o que faz com que o próprio a encare de forma natural. Finalmente, o egoísmo, se for entendido como sinónimo, não tem de ser forçosamente um mal em si mesmo desde que temperado com princípios, valores e grandeza de carácter (e aqui a educação tem um papel a dizer).

- Nas conversas entre amigos, é comum ouvirmos o comentário «é filho único», como justificação de comportamentos caprichosos, mimados ou egocêntricos. Mas serão estas características comuns a todas as crianças que crescem sem irmãos?
- O problema reside na educação recebida dos pais ou com quem o "filho único" estabeleça os primeiros vínculos afectivos. Os perigos vêm do excesso de protecção e de atenção que podem adulterar a formação inicial da personalidade da criança (a chamada personalidade aprendida). Nestes casos, criam-se matrizes (códigos) mentais que podem fazer despontar atitudes e comportamentos marcados por egocentrismo exacerbado, sentimentos de grandeza, narcisismo e outras perturbações. Não podendo repartir a sua atenção por outros filhos - que, geralmente, têm personalidades e naturezas diferentes - os pais tendem a "mimar" o filho único e a colocá-lo num pedestral ou então numa "redoma de vidro". O perigo mais frequente verificado neste tipo de reacção dos pais é o desenvolvimento de uma personalidade desequilibrada no filho único (desde afectividades inseguras, personalidades ansiosas e medos até reacções impulsivas, condutas agressivas e despóticas, etc.).

- Os filhos únicos podem também ser mais tímidos e introvertidos?
- Sim e não. A situação depende da matriz inicial da personalidade onde se destaca o temperamento (determinado em grande medida pelos genes) e outras características inatas. O tipo de laços afectivos dos primeiros anos, a natureza das relações entre as pessoas que cuidam da criança (geralmente os pais mas também os avós e outras pessoas próximas) e o ambiente vão ter um papel importante na definição e na expressão dos traços de personalidade. Enquanto a introversão como a extroversão têm uma forte componente biológica, a timidez resulta mais das experiências de vida nos primeiros anos. É fácil tornar uma criança tímida e amedrontada mas isso é um crime educacional que não pode ser autorizado. Pelo contrário deve incutir-se na criança sentimentos seguros que equilibrem a auto-estima, a auto-imagem e a auto-comfiança.

- Os exageros da superprotecção são mais comuns por parte dos pais, relativamente a filhos únicos?
- Isso depende dos pais em conjunto e de cada um em particular. Sabemos que pai e mãe exercem influências distintas nos filhos. Devemos também ter em consideração que, actualmente, as crianças passam muito mais tempo com as educadoras de infância, os professores e os colegas da escola. Esses agentes também exercem, por vezes de forma poderosa e irreversível, uma marcante influência no desenvolvimento mental e afectivo das crianças. Os filhos únicos tendem, por vezes, a procurar apoio (e afecto) nesses agentes já que pouco tempo passam com os pais, em especial a mãe (que hoje trabalha e pouco tempo tem para dar uma "atenção de qualidade" aos filhos). A superprotecção decorre, por vezes, de um sentimento de culpa. Sabendo que não podem dar uma afectividade segura e equilibrada os pais caem em respostas exageradas como oferecerem presentes e um sem-número de confortos e facilidades ao filho.

- O desenvolvimento da motricidade e da linguagem é iniciado mais cedo no caso das crianças com irmãos mais velhos?
- Havendo irmãos mais velhos observa-se mais frequentemente uma interacção multifocal (afectiva, mental, motriz, etc.) que ajuda ao desenvolvimento cognitivo e motor. Essa interacção é muito importante pois promove o desenvolvimento de estratégias mentais para a resolução de problemas (brincadeiras, disputas, conflitos de interesse, concorrência, etc.).

- Criar um filho único pode tornar-se um desafio maior do que gerir uma família numerosa?
- Talvez gerir uma família numerosa seja mais difícil pelos esforços que a diversidade de personalidades e de interesses exige. Compreender essas diferenças e estabelecer laços afectivos entre todos e ao mesmo tempo gerir conflitos e disputas sem que a família sofra deslizes e entre em ruptura (o que muitas vezes acontece nas famílias numerosas) será, porventura, mais complexo do que atender a uma família nuclear mais reduzida. Os problemas são menores e o stress é igualmente menor, excepto nos casos de relações familiares disfuncionais.

- O papel de educadores e professores é mais importante na educação destas crianças?
- É muito importante. Numa primeira fase, os adultos próximos (com vivências diárias com a criança) podem exercer uma fortíssima influência na regulação emocional e no despertar de possibilidades de crescimento como ser humano. Mais tarde, com o início da adolescência, serão os colegas e os amigos quem terão maior poder de influência nas matrizes de pensamentos e crenças adquiridas, determinando os percursos do comportamento e as escolhas (modas, tiques, preferências, etc.). Por isso é que os comportamentos desviantes surgem na adolescência e não na infância. Para evitar tais situações é absolutamente imprescindível que o ambiente familiar nos primeiros anos encoraje a inteligência, os valores morais, as regras sociais, o equilíbrio emocional e as bases do bom carácter. Servirão, mais tarde, como alicerces que defenderão toda a estrutura da personalidade ajudando as crianças a saberem pensar por si e a saberem fazer opções inteligentes e autónomas.

- Qual a melhor forma de lhes transmitir bom senso e a imposição de limites?
- As crianças aprendem muito através da imitação. O que observam (em casa, na televisão, na rua, na escola, etc.) tende a ficar vincado na memória e influenciar as decisões e os comportamentos. A imposição de regras e normas de vida equilibradas, dentro e fora de casa, fortalecem os códigos da personalidade das crianças. Boas maneiras e estilos de vida saudáveis são mais eficazes do que lições de moral e repreensões!

- Tornar um filho único numa criança responsável, sociável e com uma elevada auto-estima depende de que factores educativos?
- Totalmente. Deve, porém, ter-se presente que a educação deve ser libertadora dos recursos (como a inteligência) e das potencialidades (como a criatividade) e não castradora das possibilidades de sucesso (sempre em aberto) quando se torna repressiva, autoritária ou instável. A decisão de se ser pai ou ser mãe deve obrigar cada um a uma reflexão séria sobre a tremenda responsabilidade que essa condição impõe.

Os perigos do sedentarismo: alerte os seus filhos!

Segundo uma investigação australiana, a cada hora em frente à televisão aumenta o risco de se sofrer um ataque cardíaco. E isto é um problema que afecta as pessoas em qualquer idade.

David Dunstan, um dos autores do estudo publicado na Circulation, recorda que o corpo humano foi desenhado para mover-se e não para estar sentado várias horas ao dia. O problema, como reconhece este especialista em Actividade Física do Instituto Baker de Vitoria, na Austrália, é que “muitas das actividades da vida diária que requeriam estar de pé se transformaram para estarmos sentados”.

Concretamente, o estudo avaliou quase oito mil pessoas maiores de 25 anos entre 1999 e 2006. Em função dos seus hábitos televisivos dividiram os sujeitos em três grupos: os que viam menos de duas horas diárias, entre duas e quatro horas por dia e finalmente os que ficavam em frente ao televisor mais de quatro horas diárias.

Nestes sete anos de análises registaram-se 284 mortes: 87 com problemas cardiovasculares e outras 125 por cancro. Se nos tumores se observou uma relação residual com o hábito de ver televisão, a relação era muito mais clara nos problemas cardiovasculares.

Os investigadores concluíram que os indivíduos que viam televisão mais de quatro horas por dia tinham 46 por cento mais probabilidade de morte (por qualquer causa) que as pessoas que viam televisão menos de duas horas por dia, ou quase 80 por cento se apenas tivermos em conta os falecimentos por causas cardiovasculares.

Por cada hora diária de televisão, os investigadores calculam que existe 11 por cento de aumento de risco de mortalidade por qualquer causa e até 18 por cento por patologia cardiovascular. Aumenta também em nove por cento a mortalidade por cancro. O perigo mantem-se mesmo tendo em conta outros factores como o colesterol, a tensão, o tabaco, o perímetro da cintura ou a dieta rica em gorduras. Inclusive para alguém com um peso normal, estar sentado várias horas por dia tem uma má influência nos níveis de glicose e de gordura do organismo.
Uma vida activa não apenas reduz estes perigos como melhora a função mental, incluindo a concentração, a memória, a aprendizagem e a criatividade. Muitos casos de insucesso escolar podem resolver-se com o aumento de actividade física!

As crianças sobredotadas na Europa

Definições e critérios de avaliação nos vários países. Informe-se em www.academiadesobredotados.com.

Iniciativa

O Instituto da Inteligência está a fornecer às escolas secundárias uma palestra sobre o tema COMO CONQUISTAR O FUTURO destinada a alunos e professores.
Contacto geral@institutodainteligencia.net ou 96 519 73 81.

A inteligência das mães


Num recente número da prestigiada revista portuguesa PAIS &FILHOS foi abordado o tema da inteligência das mães.
Segundo um estudo científico parece que a maternidade torna as mulheres mais inteligentes. É um artigo que deve ser lido.
Na preparação daquele trabalho Nelson S. Lima, do Instituto da Inteligência, foi convidado a dar a sua opinião. Aqui fica o conteúdo total da entrevista de onde aquela publicação retirou depois alguns enxertos.

- É verdade que o cérebro dos seres humanos tem uma grande capacidade de plasticidade e, por isso, podemos estar sempre a tornar-nos mais inteligentes?
Sim, é verdade. A neuroplasticidade permite que o cérebro humano amplie a sua destreza mental através de novas aprendizagens e de estimulação. Estima-se que uma pessoa que mantenha uma mente activa e culta possa fazer subir o seu QI em 15% durante a vida.

- A maternidade pode alterar alguma coisa no funcionamento do cérebro das mulheres, tornando-as mais inteligentes?
Não direi mais inteligentes mas mais diligentes. Não apenas as alterações químicas no cérebro provocadas pela condição da maternidade como as alterações psicológicas forçadas pelo exercício do papel de mãe estimulam o desenvolvimento de processos básicos como a atenção, a concentração, a intuição e uma maior sensibilidade às emoções.

-Que efeitos têm no cérebro das mulheres a oxitocina e a prolactina?
A oxitocina está envolvida nos processos emocionais. Ela actua junto da amígdala (localizada no sistema límbico cerebral) e está relacionada com a produção de sentimentos de generosidade e de confiança. Nas mulheres, conduz a uma maior receptividade e afectividade face aos outros, em especial os filhos. Já a prolactina é uma hormona que estimula o crescimento e a produção de leite durante a gravidez e a amamentação. Está, todavia, dependente também dos estados emocionais, da oxitocina e dos níveis de stress.

- O sentimento que une uma mãe a um filho pode dar novas capacidades ou alterar comportamentos na mulher?
Como em todos os sentimentos de sinal positivo que envolvam e unam pessoas (amizade, afeição, amor, etc) também as relações, atitudes e comportamentos entre mãe e filho dependem, basicamente, da natureza das emoções que são geradas. Os sentimentos positivos são auto-motivadores e susceptíveis de darem maior visibilidade a potencialidades encobertas anteriormente. É o caso da capacidade de amar que só se torna visível e disponível quando surge a pessoa ideal (neste caso, um filho) que vai dar origem a uma nova relação afectiva.

- Porque é que muitas mulheres experimentam uma sensação de ficarem mais distraídas, ou mesmo mais burras, durante a gravidez ou imediatamente a seguir ao parto?
A gravidez é um processo que produz imensas transformações químicas e comportamentais no corpo (logo, também no cérebro) da mulher. Eu não sei se a sensação que descreve é, de facto, percebida como uma espécie de perda de capacidades. Talvez seja apenas uma interpretação errada de sentimentos íntimos que a nova condição de mãe sugere e que tem origens mais culturais do que biológicas.

Sobre o SABER

"Se os textos lhes agradam, óptimo. Caso contrário, não continuem, pois a leitura obrigatória é uma coisa tão absurda quanto a felicidade obrigatória." (Jorge Luis Borges)

Tomei conhecimento a partir de um artigo do excelente Gilberto Dimenstein que 180 mil jovens com formação superior não foram suficientes e capazes para atender à procura de 872 vagas de estágio em empresas brasileiras.

Reflexo da crise de nosso modelo educacional, estes números, tabulados ano passado pela pesquisadora Sofia Esteves do Amaral, indicam o abismo existente entre o que as escolas entregam e o que as empresas solicitam. A qualificação acadêmica está desalinhada da qualificação profissional.

É indiscutível que devemos promover uma Cruzada pela Educação. Vender a idéia da Educação, colocando-a como prioridade, ao lado da Saúde e da Ciência e Tecnologia, nas discussões orçamentais e de planeamento estratégico nacional. Criar o conceito de responsabilidade educacional e infligir com a perda do mandato de autarcas que desviam recursos das salas de aulas para a construção de estradas e outras finalidades que lhes conferem capital político mais imediato. E investir no docente, sua formação e sua remuneração, pois a chave da boa escola é o professor.

Todavia, mesmo diante de toda esta breve argumentação, minha conclusão mais precisa é que o problema da Educação está na escola que ficou chata, perdeu a graça, não acompanhou a evolução do mundo moderno. O aluno não vê aula, quando vê não presta atenção, não se aplica nos deveres de casa e vai mal nas provas. Lembra-me aquela máxima marxista: uns fingem que ensinam, outros fingem que aprendem. Só esqueceram de avisar o mercado desta combinação.
São estes alunos que serão reprovados num simples processo selectivo. E serão eles que, gerindo companhias ou decidindo empreender um negócio próprio, engordarão as já elevadas estatísticas de insucessos empresariais.

A Educação perdeu o sabor. E é curioso constatar isso quando desvendamos pela etimologia que as palavras sabor e saber têm a mesma origem no verbo latino sapare. O conhecimento é para ser provado, degustado. É como se a cabeça (o estudar) estivesse em plena consonância com o coração (o gostar).

O que me faz avançar madrugada adentro postado diante de um monitor, digitando num teclado, com música ao fundo e pensamento ao longe, produzindo artigos como este? A resposta está no desejo de escrever um texto que traga prazer ao leitor tal qual o banquete preparado por um cozinheiro a seus convidados.

Todo escritor tem duas fontes de inspiração: uma musa e outros escritores. Minha musa é o próprio mundo, uma obra de arte, um livro dos mais belos para quem o sabe ler. Já meus "padrinhos" são muitos, são tantos, que não posso colocar-me a relacioná-los. Acabariam as laudas, faltaria paciência ao leitor e eu incorreria invariavelmente no pecado capital da negligência, deixando de citar nomes por traição da memória.

Rubem Alves é um destes nomes. Vem dele a inspiração desta metáfora que envolve escritores e cozinheiros. Minha cozinha fica numa sala. Minha bancada é uma mesa. Meu fogão é um computador. Minhas panelas são minha cabeça. Meus ingredientes são as palavras. Vou selecionando-as, misturando-as e provando de seu resultado. Saboreio com os olhos e cuido para que temperos em excesso não acabem com outros sabores.

Há dias em que estou tomado pela culinária italiana. Então produzo textos encorpados que alimentam a consciência e que pedem uma taça de vinho tinto, cor de sangue, de contestação. Corpo e sangue. São os momentos de questionamento da ordem, este prazer da razão, banhado pela desordem, esta delícia da emoção.

Noutros dias, sinto-me inspirado pela cozinha francesa. É quando me torno económico no uso dos ingredientes, mas extravagante no uso dos temperos. É quando surgem os textos mais leves na forma e mais profundos em seu conteúdo, convidando todos a uma demorada reflexão.

E assim sucedem as semanas, sucedem os artigos. A cada semana um prato novo. Alguns nascem naturalmente, exigem pouco tempo de cozedura. Outros, por sua vez, ficam dias no forno. Consomem uma quantidade incrível de palavras. Letras que vêm e que vão. Chegam mesmo a queimar os dedos mas finalizá-los tem seu propósito ao imaginar a satisfação de quem os lerá, estampada no brilho dos olhos, no sorriso de canto de boca.

Assim entrego-me a este ofício, marchando pitagoricamente com o pé direito para as minhas obrigações e com o pé esquerdo para os meus prazeres, tendo a certeza de que o escrito com esforço será lido com apreciação.

Paul Valéry diz que um homem feliz é aquele que, ao despertar, se reencontra com prazer, se reconhece como aquele que gosta de ser. Saber o que se é e o que se deseja ser: quanto saber há nisso!
Texto (adaptado) de Tom Coelho
Graduação em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela ESPM/SP e especialização em Marketing pela MMS/SP e em Qualidade de Vida no Trabalho pela FIA/USP, é empresário, consultor, escritor e palestrante, Diretor da Infinity Consulting, Diretor do Simb/Abrinq e Membro Executivo do NJE/Fiesp.

O ensino do futuro

Numa sociedade em profunda transformação, os professores são também obrigados a adaptar-se, mudando de atitude relativamente ao exercício de ensinar. Embora marcada por grandes avanços tecnológicos, a sociedade deverá tornar-se cada vez mais humanista. Os professores têm de aprender a ver cada aluno como um todo singular onde se escondem, por vezes, potencialidades incríveis. Têm de ser criativos e inovadores para serem capazes de libertar também o espírito criativo dos alunos.
Os professores devem assumir-se como autênticos agitadores das mentalidades, lutando contra o conservadorismo, o conformismo, o cinzentismo e o comodismo que a educação tradicional tantas vezes provoca nos mais novos.
A escola do futuro será uma escola onde se aprenderá a pensar, a filosofar e a criar.

A escola segundo Augusto Cury

Muitos alunos não amam
o Saber porque ele é
transmitido sem tempero,
sem emoção!

Segundo o psiquiatra e autor best-seller brasileiro Augusto Cury, a esperança do mundo está sobre os ombros da educação. Infelizmente, a educação é frequentemente geradora de muito stress e ansiedade. As salas de aulas estão superlotadas, as aulas tornam-se frequentemente entediantes, os professores têm dificuldade em ensinar e os alunos andam muito desmotivados, aprendendo muito pouco de verdadeiramente sólido e duradouro. O ensino está em crise!
Augusto Cury tem, ao longo de várias obras, proposto uma série de ideias para minorar o estado lastimoso da situação (que não é um problema unicamente português).
Eis algumas pistas para ajudar a criar motivação e interesse pelas aprendizagens nos nossos alunos:

1º Apostar numa Educação Participativa. Objectivamente pretende-se evitar que os alunos aprendam de forma passiva, pegando na memorização intensiva para usar nas avaliações. Os professores devem provocar o diálogo, injectar curiosidade, promover o interesse pelas diferentes matérias. A transmissão simples e directa de assuntos é perniciosa. É preciso que os alunos sejam envolvidos podendo expressar as suas ideias, opiniões e sugestões. As matérias dadas não podem ser opacas! É um grande desafio para os professores.
2º A postura dos professores deve facilitar a exposição dialogada. Os professores não devem apenas ser veículos de transmissão de saberes. Têm de aprender a estabelecer a comunicação nos dois sentidos com os alunos, evitando os monólogos por mais de 3 ou 4 minutos. Devem incentivar os alunos a fazerem perguntas!
3º O ser humano gosta de ouvir contar histórias. As matérias escolares devem ser acompanhadas de relatos de casos da vida real para que os alunos façam uma ligação com a vida dos autores que fizeram a História, a Ciência, a Arte e a Política evoluir. Churchil não foi apenas o líder dos aliados na luta contra Hitler. Ele teve uma história de vida muito curiosa. Por exemplo, ele era um aluno um bocado irrascível mas chegou a receber mais tarde na vida o Prémio Nobel da Literatura. Muitos professores deveriam fazer cursos de "Como Falar em Público" e depois ensinar isso aos alunos.
4º Reconstruir o rosto do Conhecimento. Esta técnica é o seguimento do ponto anterior. Significa reconstruir o clima emocional em que os diversos personagens reais da História, das Ciências, da Arte e da Política actuaram. Assim, os alunos ficam a gostar das aulas pois elas deixam de ser insípidas, sem rostos, sem vida.
5º Saber elogiar os alunos, evitando a crítica banal e pública. Para muitos alunos, a chamada de atenção frente aos colegas pode fazer desmoronar a sua auto-confiança e até a auto-estima. Criticar sem valorizar os alunos trava a sua inteligência!
6º Cruzar o mundo do ensino com o dos alunos! Em muitas escolas existem três instituições distintas e separadas por grandes barreiras: o mundo dos alunos, o mundo dos professores e o mundo da escola (seus anexos administrativos, etc.). Isto tem de ser demolido. Não pode haver tanta separação. Ninguém perde autoridade se houver permuta, partilha, ligação. A autoridade que melhor se impõe é aquela que é naturalmente reconhecida. Muitos professores, alunos e funcionários das escolas deveriam aprender técnicas de liderança!
7º Desenvolver a emoção e a arte de gerir o pensamento! Não importa a quantidade das matérias dadas mas a qualidade do que se ensina e como se ensina. A educação deve ser multifocal, não apenas académica. É necessário que os professores desenvolvam essa arte.

Universidade da Criança / Instituto da Inteligência


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Com a participação do Instituto da Inteligência Algarve

20. Como fazer meu filho feliz?

Um abraço faz o meu filho feliz. Um novo brinquedo também o faz feliz. A felicidade pode-se quantificar?
A felicidade é um sentimento geral de bem-estar, prazer e harmonia com a vida. Pode ser feita de instantes de alegria como pode ser uma construção mais ambiciosa e duradoura. A quantificação dos sentimentos como a felicidade pode ser realizada por cada um conforme as suas expectativas e ganhos atingidos.

Existem diferentes felicidades? Existem duas felicidades iguais?
Podemos dizer que existem estados de felicidade que se exprimem através de diferentes sentimentos. Não há felicidades iguais pois até mesmo quando duas pessoas se sentem felizes por se terem casado, por exemplo, cada uma vive, sente e exprime a felicidade de forma diferenciada.

A felicidade mede-se pelo grau de satisfação / insatisfação da criança?
Nas crianças, como nos adultos, a felicidade pode medir-se pelo grau de bem-estar e realização (pessoal e social). Ela resulta de uma auto-avaliação que leva em conta os desejos, os projectos de vida e aquilo que as pessoas ambicionam alcançar. Pode-se ser feliz com muitas poucas coisas, como ser-se infeliz rodeado de recursos e possibilidades.

Quais os padrões que se podem estabelecer para «medir» a felicidade?
Essencialmente esses padrões devem envolver a saúde (bem estar biológico, psicológico e social), a capacitação para tirar partido dos seus recursos pessoais (inteligência, auto-motivação, talento, etc.) e sentimento de aceitação, afectividade e reconhecimento por parte dos outros.

Esses padrões mudam no tempo – os adultos podem comparar se são mais ou menos felizes, devido às vivências, do que gostam e do que já sabem que não gostam, do que lhes dá ou não satisfação. Numa criança (com menor vivência e num processo de aprendizagem e gestão de emoções) como se analisa essa felicidade?
O sorriso constitui uma interessante medida da felicidade nas crianças. A criança infeliz, triste ou desamparada raramente sorri. O sorriso genuíno, aquele que até os olhos o exprimem, estando geralmente presente no dia-a-dia da criança, significa que se sente bem e que está bem consigo e com o mundo.

O bem-estar emocional é a única medida padrão da felicidade da criança? Que outras podem ser apontadas?
O bem-estar inclui também o equilíbrio das funções orgânicas, gozar de saúde, o sentir-se reconhecida e aceite pelos outros e o perceber as suas possibilidades e recursos. Claro que tudo isso resulta em satisfação emocional e, em última instância, sentir-se feliz é perceber esse prazer.

Qual a melhor forma de estabelecer limites e repreendê-la sem ser demasiado severa?
Desde muito novas as crianças devem compreender e aceitar os limites da sua autonomia. Elas devem crescer em liberdade com o direito a exprimir as suas ideias, desejos e vontades. A sua personalidade vai-se desenvolvendo através de uma educação que lhe permita tirar partido dos seus recursos pessoais e que ao mesmo tempo lhe abra as pistas para o desenvolvimento do carácter, do sentido crítico e da noção da responsabilidade. Durante a infância e a adolescência a personalidade constrói-se através do esforço de aprendizagem na relação com os outros (família, amigos, sociedade em geral, etc.).

Qual a melhor forma de regular o comportamento do meu filho, sem recorrer aos castigos? Quando necessário, que tipo de castigos são mais aconselháveis, e quais os proibidos?
As emoções que controlam os comportamentos das crianças são educáveis. Uma boa educação deve por um lado respeitar a inteligência e a autonomia da criança e ao mesmo tempo incutir-lhe hábitos, atitudes e escolhas saudáveis e justas.
O castigo físico é assassino e amordaça a criança gerando uma série de problemas que perdurarão no futuro. As crianças são seres inteligentes e aprendem muito bem a dialogar, a conversar e a pensar bem. Muitos pais não exercitam esse tipo de educação. Mais tarde virá o dia em que se apercebem que os filhos se tornam irascíveis, impetuosos, agressivos e incapazes de manifestaram comportamentos socialmente equilibrados. Muitas crianças tidas como hiperactivas, por exemplo, são apenas crianças que não aprenderam a controlar os seus impulsos. São falsos hiperactivos.


Que tipo de actividades devo partilhar com o meu filho, de forma a aumentar a cumplicidade e os laços entre ambos, e qual a melhor forma de estimular a sua auto-estima?
São muitas mas as mais decisivas e duradouras são a afectividade inteligente dada com equilíbrio (sem excesso de protecção), a atenção, a generosidade, o carinho gentil, a garantia de segurança (psicológica, física, social), a libertação dos talentos e dos seus outros recursos pessoais (criatividade, comunicação, etc.), a aprendizagem para uma autonomia responsável e o desenvolvimento do sentido crítico e justo.

Assertividade, autonomia, segurança, afecto… Com base nestes conceitos quais as doses certas para cada um deles de forma a garantir-lhe felicidade? Eles são sempre garantia de felicidade?
A felicidade é essencialmente uma construção pessoal e depende muito mais do próprio do que dos outros. O papel dos pais é garantir condições para que a felicidade dos filhos seja também um trabalho deles mesmo e não apenas do que lhes garantirem (alimentação, roupa, brinquedos, diversões, cursos, etc.).

Um novo irmão ou irmã ajudam a que uma criança seja mais feliz, ou há o risco de poder sentir-se preterida, ou mesmo de rivalidade entre irmãos?
Tudo é possível. O factor idade também conta. As crianças podem ver um rival num irmão mais novo, pelo menos nos primeiros anos. Caberá aos pais saberem dosear a expressão dos seus afectos de forma que a mais velha não se sinta nunca preterida.

Os pais devem evitar discutir na frente dos filhos?
Devem de todo evitar discutir mas não devem ter medo de conversar junto dos filhos assuntos que, não sendo melindrosos nem excessivamente íntimos, podem até servir para incutir o diálogo, abrir os horizontes mentais das crianças e torná-las mais assertivas. Assim, elas também aprenderão a conversar e a abrirem-se com os pais.

Que tipo de assuntos devem permanecer abertos à discussão em que a opinião da criança seja tomada em conta?
Em geral pode falar-se de tudo aquilo que diga respeito à criança e que a não deixe confusa ou amedrontada. As crianças têm opiniões e estas devem ser ouvidas, conversadas e analisadas respeitando obviamente as limitações que a idade e o nível de desenvolvimento menta possam impor.

O excesso de regras pode deixar o meu filho infeliz, ou uma rotina de horários estabelecida faz com que uma criança se sinta mais segura?
A rotina, neste caso, é uma boa estratégia pois a criança habitua-se aos procedimentos e aceita facilmente realizar os seus deveres. O excesso de regras pode ser útil numa prisão mas nunca numa casa de família.

Quais são os sinais de indicam que o meu filho está feliz? E os que me dizem que está infeliz?
Um simples sorriso pode não indicar felicidade, como o choro pode não ser infelicidade… Esses indicadores podem ser, por exemplo, o sucesso escolar? A timidez? Perturbação do sono?
São vários os sinais que podem indicar um estado emocional negativo numa criança. A ansiedade é um dos primeiros. Ela revela frequentemente insatisfação, medo, dúvida, intranquilidade ou outro tipo de desconforto, nomeadamente físico e orgânico. Perturbações de sono, tiques, agitação anormal, impulsividade, manifestações agressivas sugerem sempre um mal-estar.

Quando o meu filho pede um presente de maior valor, devo oferecer-lho logo que possa ou esperar pela próxima ocasião que o justifique, por exemplo, um aniversário ou o Natal?
A gestão dos presentes é cada vez uma necessidade nestes tempos de consumismo desenfreado. Os presentes devem assinalar um momento especial: um aniversário, um feito nobre, um sucesso na escola, um prémio por algo merecedor de uma distinção, mas não mais do que isso. Há crianças que têm os quartos cheios de brinquedos a que não prestam a mínima atenção pois tornaram-se banais. Perderam todo o sentido para elas.

Os jogos de vídeo podem fomentar o seu isolamento, ou desenvolvem a sua mente?
Podem fomentar as duas coisas ou mais: fomentam o isolamento, o sedentarismo e o egoísmo. O que ganham no desenvolvimento da mente não compensa o que perdem nos outros domínios. Por outro lado, muitos dos jogos, quando a criança já os domina, já não exercitam o cérebro.

De forma geral, que tipo de acontecimentos na vida de uma criança têm mais probabilidade de a afectar negativamente e deixá-la infeliz?
Em geral são as perdas, o desamparo, o abandono, o enfraquecimento da auto-estima, problemas de auto-imagem, a rejeição, o estrangulamento da sua criatividade e a perda de autonomia. Estes e outros acontecimentos são interdependentes e alimentam pensamentos e sensações negativas que vão gerar um sentimento de infelicidade prolongado ou até mesmo crónico dado que ficam registadas na memória, muitas vez na memória não consciente e funcionando como gatilhos para comportamentos desajustados ao longo da vida.
(Texto retirado da entrevista à revista HAPPY WOMAN concedida pelo neuropsicólogo Nelson S Lima, Instituto da Inteligência).

19. Uma mente brilhante

PARTE UM

Um dia conheci um menino que na ocasião tinha 4 anos de idade. Franzino, destacavam-se nele uns olhos muito vivos e um comportamento bastante amadurecido. Trazia uma pequena enciclopédia de astronomia quando entrou no meu gabinete.

Foi a criança que, até hoje, mais me surpreendeu pelas aptidões intelectuais que revelava. Além de demonstrar um conhecimento muito diversificado de matérias, o que lhe assegurava uma extraordinária cultura geral, exibia uma invulgar capacidade de raciocínio. Conversar com ele mostrou-se uma experiência deliciosa. A sua linguagem era fluente, rica de vocabulário e muito expressiva.

A dado momento perguntou-me se eu sabia qual era o maior perigo que o planeta Terra atravessava. Alertou-me logo que eu deveria pensar em algo mais afastado no tempo do que os anos próximos; ele referia-se ao futuro da Terra enquanto astro. Percebi de imediato que dar uma resposta como “aquecimento global”, “poluição” ou “guerra mundial” talvez não fosse o que ele esperava.

Curioso, respondi-lhe com uma pergunta: “O que é que te preocupa?”. Percebeu a minha estratégia e esclareceu-me de imediato que andava a investigar como a Terra iria desaparecer. Pensei logo nas várias possibilidades que têm sido colocadas pelos cientistas: uma colisão com algum objecto gigante do espaço, uma catástrofe natural de dimensões inimagináveis, o definhamento do próprio planeta, etc. Voltei a fazer-lhe uma outra pergunta: “Qual é a tua teoria?”.

O miúdo, vendo o meu interesse, reagiu de imediato com uma resposta que me iria deixar boquiaberto: “A Terra vai afundar-se no Espaço!”... “Como?!” – retorqui. Confesso que nunca ouvira falar de tal coisa. E insisti, já cheio de curiosidade: “Ora explica-me isso. Onde aprendeste essa teoria?”. Resposta imediata: “Em lado nenhum. Fui eu que criei essa teoria!”.

Recostei-me na cadeira, respirei fundo. Rebobinei o filme todo: à minha frente tinha um miúdo de 4 anos e 2 meses de idade que me informava ter uma teoria sobre o fim do planeta Terra! Só me restava continuar. “Ok, sou todo ouvidos.” - disse-lhe.

Para encurtar a história: o menino, que adorava astronomia e muitas coisas mais, encantado com a história do Universo, do nascimento e da morte dos astros ao longo dos tempos, defendia que a Terra sairia da órbita do Sol por “excesso de peso”, o que empurraria o planeta para “o fundo do Universo”. Ou seja, um dia, no futuro, e por força do aumento da população humana, a Terra começaria lentamente a afundar-se no Espaço desprendendo-se da força de atracção do astro-rei!

Cientificamente, a sua teoria não era credível. Penso eu. Mas, o que me fascinou na criança, foi a elaboração mental realizada. Devo dizer que simplifiquei esta história pois a conversa foi bem mais prolongada e envolveu uma acérrima argumentação por parte do miúdo acompanhada de uma série de “evidências científicas”.

O que retenho desse dia foi a extraordinária capacidade de raciocínio, os conhecimentos demonstrados e a perspicácia da argumentação de uma criança com apenas pouco mais de 4 anos de idade.
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PARTE DOIS
Passaram-se cinco anos. Com 9 anos de idade, recuara na sua “teoria” e aprendera a travar as suas ideias “amalucadas” (para usar a expressão de uma professora). O mundo, conforme a escola o estava a ensinar, era feito de realidades concretas e lógicas e que ele deveria aprender de forma organizada para se tornar numa pessoa culta. Apaziguou a sua mente fervilhante de ideias e travou os impulsos criativos. Deixara de explorar caminhos incertos, perdera a arte de questionar. Era um aluno “certinho”, “obediente”, “bem comportado”, aberto ao conhecimento aprovado pelos sábios da Educação. Aprendera também a reprimir pensamentos. Oxalá não se tenha perdido um futuro génio.
Texto de Nelson Lima

Há mais vida para além dos Magalhães!

O primeiro-ministro liderou a uma mega-operação de distribuição de computadores portáteis e anunciou o alargamento do programa governamental que visa facilitar o acesso a computadores e à Internet aos alunos do segundo ciclo. Os estudantes do 5.º e 6.º ano “podem optar pelo programa que mais lhes convém nas mesmas circunstâncias que os restantes alunos”, disse José Sócrates, na escola EB1 Padre Manuel de Castro, em São Mamede Infesta.
Não nos deixemos hipnotizar!
Os computadores MAGALHÃES e todo o folclore criado em torno deste projecto não nos devem fazer esquecer que o ENSINO continua muito afastado da realidade social de hoje. Não é um computador que vai tornar uma criança melhor e mais expedita. O computador é apenas uma ferramenta de trabalho. Nada mais.
Não nos deixemos fascinar pelos holofotes do espectáculo mediático que foi montado e concentremo-nos na revolução de que o ensino necessita. A escola continua incapaz de responder aos desafios culturais e académicos de um mundo que já está na ERA DO CONHECIMENTO. Saber pensar bem, saber filosofar, saber exercer a auto-crítica, saber gerir o conhecimento são actividades mentais que os computadores não ensinam. Não nos esqueçamos que o mundo está a ser reinventado! Todas as regras do saber viver mudaram.
Nelson S Lima